A repercussão global foi imediata após a divulgação da primeira fotografia de Nicolás Maduro sob custódia norte-americana. Detido no último sábado, dia 3 de janeiro, durante uma incursão de elite autorizada por Donald Trump, o político que geria o governo venezuelano desde 2013 surgiu em um registro impactante.
A publicação do arquivo ocorreu como uma retaliação à vice-presidente Delcy Rodríguez, que havia solicitado evidências de que o mandatário e sua esposa estivessem vivos. No registro compartilhado pelo presidente dos Estados Unidos, Maduro aparece com a visão e a audição obstruídas.
Protocolo militar padrão
De acordo com análises publicadas pelo G1, o bloqueio dos sentidos é um procedimento padrão em capturas dessa natureza realizadas pelos Estados Unidos. John Spencer, especialista em guerra urbana e presidente de estudos na área pelo Modern War Institute em West Point, explica que tais métodos de detenção militar visam isolar o prisioneiro, impedindo qualquer tentativa de comunicação externa. Além disso, a medida busca preservar o sigilo da operação, garantindo que o detido não identifique os agentes envolvidos, os locais de trânsito ou as táticas logísticas empregadas na missão.
Submissão e segurança
Complementando essa visão, Matthew Savill, que dirige o setor de Ciências Militares no Royal United Services Institute (RUSI), ressalta que tal procedimento serve primordialmente para manter o detido em um estado de submissão, minimizando qualquer tentativa de fuga. Ele acrescenta que a medida é crucial para proteger o anonimato dos membros da Força Delta, impedindo que Maduro identifique os agentes que executaram sua prisão.
Além da privação sensorial, a fotografia revela outros detalhes do momento da custódia. O ex-líder venezuelano é visto segurando o que aparenta ser uma garrafa de água e vestindo um colete salva-vidas, equipamento utilizado como medida de precaução para situações de emergência durante o transporte.
