O ex-presidente Jair Bolsonaro foi encaminhado ao hospital DF Star, em Brasília, nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, para a realização de exames complementares de imagem e avaliação clínica. A transferência ocorreu após o político, que cumpre pena de 27 anos na Superintendência da Polícia Federal, sofrer uma queda no interior de sua cela durante a madrugada. Segundo informações confirmadas pelo cirurgião Claudio Birolini, membro da equipe médica particular que acompanha o caso, o episódio resultou em um traumatismo cranioencefálico leve, condição que, embora geralmente apresente recuperação rápida, exige monitoramento para descartar evoluções no quadro neurológico.
A ocorrência foi inicialmente divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por meio de publicações em redes sociais. De acordo com o relato apresentado, o político de 70 anos teria se sentido mal enquanto dormia, o que ocasionou o acidente físico dentro da unidade prisional onde está detido. Em sua manifestação pública, Michelle descreveu o momento do incidente: “Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise caiu e bateu a cabeça no móvel”. A lesão, tecnicamente caracterizada como uma concussão sem danos estruturais graves imediatos, motivou a decisão pela nova bateria de avaliações médicas fora da carceragem.
Atendimento na carceragem e transferência hospitalar
A Polícia Federal emitiu nota oficial confirmando o atendimento ao detento e esclareceu as circunstâncias do ocorrido. A corporação informou que o médico da instituição avaliou o ex-presidente logo após a notificação do fato e constatou ferimentos leves, não identificando necessidade de ida ao hospital e indicando apenas observação. Em seguida, a equipe particular de saúde solicitou o encaminhamento à unidade hospitalar privada para maior segurança diagnóstica. Apurações indicam que Bolsonaro não solicitou auxílio imediato aos agentes penitenciários no momento exato da queda, sendo a lesão identificada e reportada apenas na manhã seguinte.
Este novo incidente de saúde acontece menos de uma semana após o retorno de Bolsonaro à prisão. Ele havia recebido alta médica e voltado à carceragem no dia 1º de janeiro, após permanecer internado por nove dias para tratar questões clínicas preexistentes. Durante o período hospitalar anterior, iniciado no dia de Natal, o ex-presidente foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e a procedimentos sequenciais de bloqueio de nervos frênicos para conter um quadro persistente de soluços, além de uma cirurgia de reforço relatada por familiares na ocasião.
Diagnósticos anteriores e solicitações da defesa
Antes de sua última alta hospitalar, exames de endoscopia realizados pela equipe médica revelaram a persistência de quadros de esofagite e gastrite no paciente. Diante do histórico médico complexo e das sucessivas internações necessárias, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal para que o cumprimento da pena fosse convertido em regime de prisão domiciliar. A solicitação, contudo, foi indeferida pelo ministro Alexandre de Moraes. O ex-presidente havia retornado à sede da PF em um comboio policial no primeiro dia do ano, percorrendo o trajeto de dois quilômetros entre o hospital e a superintendência.
