Dona Sonia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, disse ter recebido com espanto a notícia do aparecimento do passaporte da filha, encontrado intacto em uma residência em Portugal, mais de 15 anos após o crime que marcou o país e cujo corpo nunca foi localizado. Em entrevista exclusiva à jornalista Patrícia Calderón, do portal LeoDias, ela afirmou não conseguir entender como o documento foi preservado e acabou surgindo fora do Brasil tantos anos depois.
A informação foi revelada em primeira mão pelo portal na última segunda-feira (5/01) e rapidamente ganhou grande repercussão. Surpresa, Sonia contou que desconhecia completamente a existência desse passaporte. Segundo ela, na época do crime, todos os documentos pessoais de Eliza foram destruídos, assim como os do neto, Bruninho.
Mãe de Eliza Samudio fala pela primeira vez após passaporte da filha ser localizado no exterior
Questionada se pretende procurar o Itamaraty para obter informações, Dona Sonia foi direta ao afirmar que sua prioridade não é o documento, mas respostas que nunca vieram. Em tom de indignação, relembrou que, após anos de espera, a polícia lhe entregou apenas uma sandália e um par de óculos pertencentes à filha, o que, para ela, simboliza a falha das investigações em esclarecer o destino do corpo de Eliza. Por se tratar de um documento oficial, o Itamaraty informou à reportagem que o passaporte pode ser retirado pela família. Caso não haja interesse, o material será incinerado.
Mãe de Eliza Samudio cobra investigação da polícia após passaporte da filha ser encontrado
Ela também defendeu que a polícia investigue todas as pessoas que tiveram contato com o documento, incluindo a mulher que teria alugado o imóvel em Portugal onde o passaporte foi encontrado, e reforçou a suspeita de que mais pessoas estejam envolvidas no crime. “Tem uma mulher envolvida no crime da Eliza que nunca apareceu. A polícia tem a obrigação de investigar todos os envolvidos que tiveram posse a este passaporte”, disse Sonia.
Sobre a relação de Eliza com Portugal, a mãe confirmou que a filha já havia estado no país e que isso não era segredo. No entanto, levantou questionamentos sobre a falta de registros no passaporte e sobre o motivo de o documento ter sido guardado por tanto tempo sem ser destruído, como os outros.
Ao final da entrevista, Dona Sonia rejeitou qualquer especulação de que Eliza possa estar viva. Em uma fala carregada de dor, disse ter absoluta certeza de que a filha não sobreviveu e afirmou que, se estivesse viva, teria entrado em contato, nem que fosse para falar com o próprio filho. Para ela, o reaparecimento do passaporte apenas reforça a convicção de que o crime ainda guarda pontos obscuros e que as feridas abertas há mais de uma década seguem sem cicatrizar.
