O corpo de Miguel Abdalla Neto, tio materno de Suzane von Richthofen, foi localizado na tarde desta sexta-feira (9) no interior de sua residência situada na Zona Sul de São Paulo. As autoridades policiais confirmaram que a vítima já se encontrava em estado de decomposição quando foi encontrada por volta das 15h40.
O imóvel fica localizado na Rua Baronesa de Bela Vista, no bairro Vila Congonhas. Miguel residia sozinho no local e não foram identificados, em uma análise preliminar realizada pelas equipes de segurança, vestígios de violência física ou sinais de invasão domiciliar no ambiente.
A descoberta ocorreu após funcionários que prestavam serviços a Miguel estranharem o fato de ele não ter sido visto e permanecer incomunicável por dois dias consecutivos. Diante da ausência de contato e da preocupação gerada, um vizinho decidiu acionar a Polícia Militar para verificar a situação no interior do imóvel. A ocorrência foi encaminhada para o 27º Distrito Policial, onde a autoridade competente registrou o episódio como morte suspeita. Este procedimento é padrão em casos onde não há testemunhas do óbito ou uma causa natural evidente de imediato, exigindo exames periciais para esclarecimento.
Histórico familiar e tutela
Miguel Abdalla Neto desempenhou um papel fundamental na vida do sobrinho após a tragédia familiar ocorrida em 2002. Ele assumiu a responsabilidade de administrar o patrimônio e os bens herdados por Andreas von Richthofen até que o jovem atingisse a maioridade legal, completando 18 anos. A figura do tio foi central durante o período de reestruturação da vida do rapaz após a perda dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em um crime que marcou a crônica policial brasileira e exigiu suporte familiar para o adolescente que restou.
O caso que envolveu a família ganhou repercussão nacional quando o casal von Richthofen teve a vida tirada na mansão onde residiam, também na capital paulista. Naquela época, Andreas tinha apenas 15 anos de idade. Sua irmã, Suzane, foi condenada judicialmente a 39 anos de reclusão por envolvimento direto no planejamento do ato contra os próprios pais, juntamente com os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. A motivação apontada pela acusação durante o julgamento envolvia conflitos familiares internos e interesse na partilha da herança deixada pelo casal.
Situação atual dos envolvidos
Atualmente, Suzane cumpre o restante de sua pena em liberdade. Ela foi solta em janeiro de 2023, após o Poder Judiciário conceder a progressão para o regime aberto, tendo permanecido no sistema prisional por duas décadas. Após deixar a Penitenciária Feminina de Tremembé, no interior do estado, ela fixou residência na cidade de Bragança Paulista. Os irmãos Cravinhos também obtiveram progressão de pena e encontram-se no regime semiaberto desde fevereiro de 2013. A Polícia Civil de São Paulo aguarda agora os laudos técnicos do Instituto Médico Legal para concluir o inquérito sobre o falecimento de Miguel.
