Auxiliares do governo Lula avaliam com cautela o convite para que o Brasil integre o recém-anunciado Conselho da Paz para a Faixa de Gaza. O presidente brasileiro foi chamado pessoalmente por Donald Trump, que lidera a iniciativa internacional. A proposta prevê mandatos de três anos para os países-membros, com possibilidade de renovação, e financiamento baseado em contribuições voluntárias.
Segundo relatos feitos à reportagem, o esboço do estatuto estabelece que países que aportarem ao menos US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões, na cotação atual) garantiriam um assento permanente no conselho. O governo brasileiro estuda tanto a hipótese de participação temporária quanto a de contribuição fixa, avaliando impactos políticos, financeiros e diplomáticos antes de qualquer resposta formal. Interlocutores de Lula afirmam que não haverá decisão apressada e que a palavra final será do presidente.
Conselho pode competir com a ONU
Um dos principais pontos de atenção do Planalto é o papel que o novo órgão poderá desempenhar no cenário internacional. Auxiliares avaliam que o conselho, presidido por Trump, pode atuar de forma complementar ou até concorrente à ONU, a depender de sua estrutura. Há preocupação, inclusive, com possível sobreposição às atribuições do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O desenho do grupo ainda gera incertezas e críticas externas. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, reagiu negativamente e afirmou que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv, além de considerar que a iniciativa contraria a política adotada por seu governo em relação ao conflito.
Trump reúne aliados e provoca reação global
A criação do conselho integra a segunda fase do plano de paz dos Estados Unidos para Gaza. Trump já anunciou nomes de peso: Marco Rubio, Tony Blair, Steve Witkoff, Jared Kushner, o bilionário Marc Rowan, o presidente do Banco Mundial Ajay Banga e o assessor Robert Gabriel. Entre os chefes de Estado convidados estão Javier Milei e Recep Tayyip Erdogan. O argentino celebrou publicamente o convite. “É uma honra ter recebido o convite para que a Argentina integre, como membro fundador, o Conselho da Paz”, escreveu Milei.
