A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a morte de pelo menos três pacientes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). A investigação teve início após a própria direção da unidade hospitalar identificar um padrão suspeito de óbitos, instaurar um comitê interno de avaliação e demitir funcionários envolvidos. Com os indícios reunidos, o hospital procurou a polícia e entregou documentos e materiais considerados relevantes. Em menos de um mês, a PCDF cumpriu, em 12 de janeiro, os primeiros mandados de prisão temporária.
Investigação começou após alerta do hospital
Segundo o delegado Maurício Icosili, responsável pelo caso, a colaboração do Hospital Anchieta foi fundamental para o avanço rápido das diligências. A instituição reuniu dados, analisou prontuários e concluiu que havia indícios de homicídios intencionais, repassando as informações às autoridades. O inquérito principal concentra-se, neste momento, em três óbitos já identificados, com o objetivo de reunir laudos, imagens e provas técnicas dentro do prazo legal da prisão temporária, que é de 30 dias, prorrogáveis por mais 30. Após essa etapa, a polícia pretende solicitar a conversão das prisões em preventivas.
De acordo com a apuração, o principal suspeito é o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos. Ele teria se aproveitado de momentos de desatenção para acessar computadores de médicos ainda logados, emitir prescrições indevidas e retirar medicamentos na farmácia da UTI. Em seguida, preparava seringas e realizava aplicações em pacientes que estavam sozinhos nos quartos, provocando paradas cardíacas. Em um dos casos, após sucessivas reversões, o investigado teria usado até desinfetante aplicado diretamente na veia, o que resultou na morte de uma paciente.
Versões dos suspeitos e próximos passos
As técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camille Alves da Silva também foram presas e, segundo a PCDF, atuavam dando suporte direto às ações. Imagens analisadas mostram as duas acompanhando o principal suspeito desde a preparação do material até o leito, revezando-se entre vigiar a porta e encobrir a aplicação, enquanto observavam a queda dos sinais vitais no monitor. Diante dessas evidências, ambas também devem responder por homicídio.
Em depoimento, Marcos inicialmente negou os fatos, mas confessou após ser confrontado com as imagens. Questionado sobre a motivação, apresentou versões contraditórias, citando estresse e a intenção de “aliviar o sofrimento” das vítimas — argumento que a polícia considera incompatível com o estado clínico dos pacientes. Até agora, não há indícios de motivação financeira. O trio é acusado de vitimar João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; e uma professora aposentada. A PCDF aguarda perícias em celulares e computadores e avalia a abertura de novos procedimentos para apurar outros possíveis casos.
