Imagens de câmeras internas do Hospital Anchieta, em Taguatinga, a cerca de 20 km de Brasília, registraram o momento em que técnicos de enfermagem aplicam substâncias em pacientes na unidade de terapia intensiva. Segundo a investigação, essas ações resultaram em três óbitos na UTI entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025. Os vídeos foram obtidos pelo portal Metrópoles e integram o material que embasa as prisões de três profissionais de enfermagem.
De acordo com os registros, o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, aparece prescrevendo uma substância ao utilizar o login de uma médica que não estava de plantão. Em seguida, ele retira o medicamento na farmácia do hospital e aplica injeções diretamente na veia de pacientes internados. As imagens também mostram a técnica de enfermagem Marcela Camille Alves da Silva, de 22 anos, manuseando a substância envolta em um pacote de cor laranja na farmácia da unidade.
O que mostram as imagens
Em um dos registros, Marcos Vinícius aplica, ao menos, dez vezes uma substância identificada como desinfetante em um paciente internado. Após as aplicações, ele observa a equipe tentar reanimar o doente com manobras de ressuscitação. A sequência integra o conjunto de provas reunidas pelos investigadores e sustenta a versão de que a substância não tinha finalidade terapêutica para aqueles casos. Ainda segundo o material analisado, duas ocorrências teriam acontecido em 17 e 18 de novembro, e a terceira em 1º de dezembro de 2025.

Quem são as vítimas e os suspeitos
As pessoas que faleceram foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, de 75, professora aposentada. Eles estavam internados na UTI do Hospital Anchieta quando ocorreram as aplicações descritas nas imagens. A Polícia Civil afirma que os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo e Marcela Camille Alves da Silva, além de Amanda Rodrigues de Souza, foram presos sob acusação de tirar a vida de ao menos três pacientes na unidade.

Inicialmente, os detidos negaram participação no crime e sustentaram que apenas aplicavam os medicamentos indicados por médicos. Segundo o delegado responsável, ao serem confrontados com o conteúdo das câmeras e demais evidências, eles não apresentaram arrependimento e mantiveram postura considerada fria pelos investigadores. Ainda assim, não foi apontada motivação pelos envolvidos durante as oitivas. O Metrópoles apurou que uma quarta técnica de enfermagem também responde no inquérito pelo mesmo tipo penal.

A investigação indica que os suspeitos devem ser indiciados por homicídio doloso qualificado, em contexto que teria impossibilitado a defesa das vítimas. Em caso de condenação, a pena prevista em lei vai de 9 a 30 anos de reclusão. As autoridades seguem analisando exames, prontuários, logs de sistemas e o circuito interno de TV para estabelecer a cronologia completa dos fatos e a participação individual de cada investigado.
O Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, tornou-se o foco das apurações após o cruzamento de imagens de segurança com registros de retirada de medicamentos e lançamentos em prontuário sob credenciais de terceiros. As imagens, divulgadas pelo Metrópoles, mostram etapas que incluem a prescrição em nome de uma médica ausente, a movimentação na farmácia e a posterior aplicação de injeções nos leitos da UTI. A Polícia Civil do Distrito Federal conduz o caso e deve concluir o relatório com os indiciamentos nas próximas semanas.
