Lula pediu, Gleisi Hoffmann disse sim e anuncia que será candidata nas eleições deste ano

Atual ministra das Relações Institucionais confirmou pré-candidatura e deve deixar a pasta até abril para cumprir prazos eleitorais.

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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, comunicou nesta quarta-feira (21/1/2026) que deixará o comando da pasta para concorrer a uma vaga no Senado Federal representando o estado do Paraná.

A decisão ocorre em resposta a uma solicitação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Anteriormente, o planejamento da integrante do Partido dos Trabalhadores envolvia uma candidatura à Câmara dos Deputados, mas o cenário foi alterado após diálogos recentes com o chefe do Executivo, visando fortalecer a presença da legenda no Congresso.

As tratativas para a mudança de rota eleitoral iniciaram na semana passada, quando Lula apresentou a proposta à ministra. Para viabilizar a candidatura, Gleisi dialogou com Ênio Verri, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, que até então figurava como o pré-candidato da legenda para o posto. Segundo informações apuradas, Verri “concordou” com a determinação presidencial e assegurou apoio à ministra na disputa. O presidente estadual do PT no Paraná, Arilson Chiorato, também confirmou que o diretório local seguirá a orientação e dará suporte integral à campanha de Gleisi.

Estratégias eleitorais e sucessão no ministério

Com a definição política, Gleisi Hoffmann precisará se desvincular do ministério até o início de abril para respeitar os prazos de desincompatibilização exigidos pela legislação eleitoral. Nos bastidores do Palácio do Planalto, já circulam expectativas sobre quem assumirá a Secretaria de Relações Institucionais. O diplomata Marcelo Almeida Costa, atual número dois da pasta, é citado como uma opção técnica, enquanto outras alas do governo defendem a nomeação de um perfil com maior viés político. A manobra visa ampliar a base aliada no Legislativo, aproveitando o capital político da ministra em um cenário de possível divisão local.

A oficialização da pré-candidatura foi reforçada pela própria ministra em suas redes sociais, onde destacou o alinhamento com as lideranças partidárias e a mudança de planos. Em sua publicação, ela declarou: “Com Lula, pelo Paraná e pelo Brasil! Em conversa com o presidente @LulaOficial , com o @enioverri e o @edinhosilva , presidente do PT, reafirmei o meu compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto liderado pelo presidente Lula. Sou pré-candidata ao Senado Federal!”. A estratégia do partido considera que seu nome possui força para disputar o pleito majoritário no estado.

Histórico político e decisões judiciais

Gleisi possui um extenso currículo na vida pública, tendo exercido mandato como senadora entre 2011 e 2019 e chefiado a Casa Civil durante o primeiro governo de Dilma Rousseff. Advogada, ela presidiu o PT em momentos críticos e coordenou a campanha presidencial de 2022. No âmbito jurídico, seu nome foi mencionado na delação de Alberto Youssef em 2014, o que levou à abertura de processo no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2016. Contudo, a Segunda Turma da corte decidiu pela absolvição da paranaense e de seu ex-marido, Paulo Bernardo, em 2018, concluindo que não havia provas suficientes para sustentar as acusações de corrupção passiva.