Quem postar fotos dos jovens que agrediram o cachorro Orelha pode sofrer duras consequências, alerta a Polícia

A Polícia Civil de SC adverte que compartilhar fotos dos adolescentes acusados de agredir o cão Orelha pode gerar processos.

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A Polícia Civil do estado de Santa Catarina emitiu um comunicado oficial alertando a população sobre os riscos jurídicos de compartilhar imagens dos suspeitos do caso Orelha. Segundo a corporação, as pessoas que publicarem ou compartilharem fotos que mostrem os rostos — ou que permitam a identificação — dos adolescentes acusados de agredir o cachorro comunitário em Florianópolis podem sofrer consequências legais.

A manifestação da autoridade policial reforça a decisão liminar proferida recentemente pela Vara da Infância e da Juventude da capital catarinense. O judiciário ordenou que as plataformas de redes sociais apaguem publicações existentes e bloqueiem novos conteúdos que exponham a imagem dos jovens, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Constituição Federal, que vedam a identificação de menores mesmo em atos infracionais.

Denúncia depende de Boletim de Ocorrência

A Polícia Civil explicou como funciona o procedimento para quem descumprir a norma. Para que haja investigação e punição contra quem compartilha as fotos, a corporação precisa receber um boletim de ocorrência formalizando a queixa.

Geralmente, essa iniciativa parte dos familiares ou representantes legais dos menores expostos, que têm sido alvo de ataques de ódio e ameaças, assim como os próprios adolescentes. Após o registro policial, a apresentação formal da denúncia à Justiça caberia ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Relembre o caso que chocou o país

O episódio gerou comoção nacional e ocorreu na Praia Brava, no norte da ilha. O cachorro, carinhosamente chamado pela comunidade de Orelha, não tinha um tutor fixo, mas era cuidado coletivamente pelos moradores e considerado o mascote da região.

O animal foi localizado gravemente ferido em uma área de mata, com sinais de agressão brutal. Ele chegou a ser socorrido, mas, diante da gravidade irreversível do quadro clínico, teve que ser submetido à eutanásia por um médico veterinário. A revolta popular desencadeou o vazamento das imagens dos supostos autores, motivando a intervenção da Justiça para conter o linchamento virtual.