O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou um momento inusitado durante uma entrevista concedida na última quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026. Ao dialogar com a jornalista Daniela Lima, do portal UOL, o chefe do Executivo cometeu um ato falho ao rememorar o cenário político das eleições presidenciais de 2014. Na ocasião, ao tentar referir-se à ex-presidente Dilma Rousseff, Lula acabou mencionando o nome da ex-deputada federal Irma Passoni, uma figura histórica ligada ao Partido dos Trabalhadores e aos movimentos sociais de São Paulo, gerando repercussão imediata sobre o lapso de memória durante a transmissão.
A confusão ocorreu quando o mandatário analisava o histórico de polarização e radicalização na política nacional recente, atribuindo o início desse processo à postura da oposição após a reeleição petista. O presidente argumentava sobre a conduta do então candidato Aécio Neves durante o pleito. Em sua fala, Lula declarou: “As eleições, de 2014 para cá, porque a radicalização das eleições começou na disputa do Aécio Neves com a Irma Passoni. O Aécio Neves foi o maior agressor que eu já vi contra uma mulher numa campanha política”. A troca dos nomes chamou a atenção por envolver duas mulheres com trajetórias importantes na esquerda brasileira.
Contexto político e correção
Apesar do equívoco inicial na menção dos nomes, o contexto da declaração deixou claro que o presidente se referia à disputa pelo Palácio do Planalto ocorrida há doze anos. Logo na sequência do raciocínio, Lula ajustou a narrativa e citou corretamente a sucessora, reforçando suas críticas à conduta do adversário tucano naquela época. O petista complementou seu pensamento afirmando: “Ele [Aécio Neves] inclusive criou a radicalização entrando com processo para que a Dilma não tomasse posse”. A entrevista abordou diversos outros temas da atualidade, mas esse lapso específico foi notado devido à comparação histórica entre as duas figuras políticas.

Irma Passoni, a personalidade citada por engano, possui uma biografia extensa na política brasileira e está atualmente com 82 anos. Ela exerceu três mandatos consecutivos como deputada federal representando o estado de São Paulo, atuando na Câmara entre os anos de 1983 e 1995. Sua origem política está profundamente conectada às Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica. Passoni foi freira, mas optou por deixar o hábito religioso em 1971 para intensificar sua dedicação aos movimentos de moradores nas periferias da capital paulista, especialmente durante os anos de repressão da ditadura militar que governou o país entre 1964 e 1985.
O presidente Lula (PT) confundiu a ex-presidente Dilma Rousseff com a ex-deputada federal Irma Passoni durante entrevista para a jornalista Daniela Lima.
"A radicalização nas eleições começou na disputa do Aécio Neves contra a Irma Passoni“, afirmou Lula.
Irma é uma ex-freira… pic.twitter.com/bBWIVHnoOP
— Auri Verde Brasil (@auriverdebrasil)
Trajetória de Irma Passoni
Além de sua atuação parlamentar regular, a ex-deputada teve papel relevante na elaboração da Constituição Federal de 1988. Como integrante da Assembleia Nacional Constituinte, Irma Passoni concentrou seus esforços legislativos em pautas voltadas para a garantia e ampliação dos direitos das mulheres, consolidando-se como uma referência na defesa dessas causas dentro do Congresso Nacional. A menção acidental feita por Lula trouxe à tona o nome desta veterana política, cuja trajetória correu em paralelo a momentos decisivos da redemocratização do país, assim como a da própria ex-presidente Dilma Rousseff, alvo original do comentário presidencial.
