O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio chamou atenção ao apresentar um carro alegórico com um palhaço preso atrás das grades, usando uma tornozeleira eletrônica danificada. A imagem foi interpretada por parte do público como uma referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que durante seu mandato foi apelidado por opositores com o nome do personagem Bozo.
Apesar da associação feita nas redes sociais, não há menção direta ao ex-presidente no enredo ou na alegoria. A sinopse da escola afirma que o desfile também aborda a resistência a uma tentativa de golpe de Estado, mencionando que os mentores teriam sido levados à prisão.
Representação do enredo
Segundo a agremiação, o carro representa retrocessos em políticas públicas e faz críticas ao período da pandemia. O texto cita a situação de brasileiros que enfrentaram insegurança alimentar e relembra falas polêmicas sobre vacinação. “Teve quem dissesse que, ao tomar a vacina, a pessoa poderia virar jacaré”, diz a escola.
A Acadêmicos de Niterói foi a primeira a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo (15), com um enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desfile retrata o retorno do petista ao Palácio do Planalto para seu terceiro mandato, encerrando com um boneco do presidente usando a faixa presidencial.
TSE abalizou o desfile
O Tribunal Superior Eleitoral analisou uma ação do partido Novo contra o desfile e sua transmissão pela televisão. Os ministros entenderam que não seria possível classificar o evento como propaganda eleitoral antecipada antes de sua realização, mas ressaltaram que a decisão não representava salvo-conduto e que o conteúdo poderia ser reavaliado posteriormente.
