O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou um quadro de mal-estar na tarde desta segunda-feira (16), enquanto cumpria medida de restrição de liberdade no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A informação foi divulgada inicialmente pelo filho do político, o vereador Carlos Bolsonaro, e fontes confirmaram que o episódio envolveu uma forte crise de soluços. O antigo chefe do Executivo encontra-se custodiado no Núcleo de Custódia da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, desde o dia 15 de janeiro deste ano, onde permanece em uma cela individual reformada.
A equipe médica responsável pelo complexo penitenciário iniciou o monitoramento imediato do quadro clínico do ex-mandatário. Carlos Bolsonaro utilizou as redes sociais para comunicar o ocorrido, sem fornecer detalhes técnicos profundos no primeiro momento, limitando-se a confirmar a situação.
Em sua publicação, ele declarou: “Fui informado há pouco que o Presidente @jairbolsonaro passou mal novamente hoje à tarde e segue sendo monitorado após o ocorrido. Infelizmente não tenho mais informações! Sem palavras!”. A determinação judicial vigente autoriza a transferência urgente para unidade hospitalar caso a equipe de saúde julgue necessário.
Monitoramento de saúde e laudo oficial
Perícias realizadas pela Polícia Federal indicaram recentemente que a unidade prisional possui estrutura adequada para atender às necessidades de saúde do ex-presidente. O relatório aponta que o local permite o uso contínuo de equipamentos para apneia do sono, controle de pressão arterial e dieta fracionada, além de acesso a exames laboratoriais.
Segundo a avaliação pericial, Bolsonaro possui sete condições crônicas sob controle clínico. Apesar disso, a defesa argumenta que as crises de soluço e as sequelas de cirurgias anteriores demandam cuidados que o ambiente de custódia não poderia oferecer plenamente.
Os advogados do ex-presidente solicitaram a conversão da pena para o regime domiciliar, citando um parecer médico que alerta para a deterioração progressiva da saúde do político.
A defesa sustenta que a permanência no cárcere eleva riscos de complicações graves e irreversíveis. No pedido encaminhado à Justiça, os representantes legais afirmam: “Do ponto de vista estritamente médico, o ambiente de custódia carcerária eleva, de maneira concreta, o risco de descompensação aguda, pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória, crises hipertensivas, eventos tromboembólicos, arritmias, novos traumatismos cranioencefálicos e até morte súbita”.
Estrutura da custódia e decisão judicial
A Procuradoria-Geral da República deve se manifestar em breve sobre o laudo da Polícia Federal e a adequação da Papudinha para a manutenção da custódia. O espaço onde o ex-presidente está alocado comporta quatro pessoas, mas é utilizado exclusivamente por ele, contando com sala para advogados e consultório médico interno.
O ministro Alexandre de Moraes determinou que haja “assistência integral, nas 24 horas, dos médicos particulares anteriormente cadastrados, sem necessidade de comunicação prévia”, garantindo o acompanhamento contínuo do estado de saúde do custodiado enquanto as autoridades avaliam os pedidos da defesa.
