Foi isso que Lula disse após homenagem na Sapucaí; desfile teve ‘Bozo’ preso e com tornozeleira

Lula se manifestou e Secom afirma que não houve ingerência na escolha do enredo e cita decisões do TSE para validar apresentação.

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O governo federal emitiu um posicionamento oficial para contestar as críticas formuladas pela oposição em relação ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A agremiação realizou uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, o que gerou reações adversas de adversários políticos que apontam suposto uso indevido do evento.

O Palácio do Planalto assegurou que não houve qualquer tipo de ingerência governamental na seleção ou no desenvolvimento do enredo apresentado na avenida. A gestão atual defende que a apresentação cultural ocorreu dentro da normalidade democrática e sem violação das regras vigentes sobre conduta de agentes públicos.

Em comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação Social, a administração ressaltou a ausência de impedimentos judiciais para a realização do evento festivo. O texto recorda que o Tribunal Superior Eleitoral negou pedidos de liminar que visavam barrar o desfile e que representações enviadas ao Tribunal de Contas da União não foram acatadas preliminarmente. Sobre o financiamento, o governo esclareceu que os repasses de verbas públicas são destinados à Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Liesa, e não enviados diretamente para as agremiações específicas. O TSE, contudo, pontuou que a liberação inicial não significava um salvo-conduto definitivo para eventuais abusos.

Manifestação do presidente

Nas plataformas digitais, o perfil oficial de Lula optou por não responder diretamente aos questionamentos dos opositores, focando na exaltação da festa popular. O presidente compartilhou imagens de sua participação e elogiou o desempenho das agremiações que desfilaram no primeiro dia. Em sua publicação, ele escreveu: “Uma noite inesquecível na Sapucaí. Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira: Quatro escolas e uma só emoção. Quanta criatividade e talento juntos na avenida. Foi lindo. Obrigado, Rio!“. A postura adotada buscou valorizar a vitrine cultural que o Carnaval proporciona ao país perante o mundo.

Alegorias polêmicas e representação de opositores

Um dos pontos de maior tensão envolveu a estética dos carros alegóricos, especificamente uma obra intitulada “Pirâmide”. A estrutura trouxe uma representação do ex-presidente Jair Bolsonaro caracterizado como o palhaço Bozo, vestido com uniforme de presidiário e utilizando uma tornozeleira eletrônica rompida. Além disso, a composição visual incluiu referências a episódios passados, com uma figura exibindo marcas de estupro na gola alta. A escola de samba justificou o enredo como um entrelaçamento artístico e biográfico sobre a vida de Lula, visando retratar o progresso social e político.

Diante das imagens e do teor do desfile, parlamentares do PL anunciaram novas medidas jurídicas. O partido de oposição alegou que a apresentação “materializou uma série de ilícitos eleitorais que merecem responsabilização pela Justiça Eleitoral”, classificando o ato como propaganda antecipada visando o pleito de 2026. Houve tentativas prévias de barrar a exibição por meio de representações ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Justiça, mas os pedidos não foram acatados liminarmente antes da realização do carnaval.