Fernando Grandêz: quem era o cantor gospel achado sem vida após naufrágio no rio Amazonas

Cantor estava desaparecido desde sexta-feira; número de vítimas fatais sobe para três e buscas por cinco pessoas continuam.

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O corpo do cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, foi localizado no Rio Amazonas na manhã de segunda-feira (16), elevando para três o número de vítimas fatais do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV. O músico estava desaparecido desde o acidente ocorrido na sexta-feira (13), nas imediações do Encontro das Águas, em Manaus. A identificação foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML) após o reconhecimento realizado por um familiar. A embarcação, que partiu da capital amazonense com destino a Nova Olinda do Norte, afundou durante o trajeto, resultando em uma operação complexa de resgate que envolve diversas corporações e mobiliza autoridades locais.

Conhecido por sua atuação no cenário religioso, Fernando era membro de uma igreja evangélica em Manaus e participava ativamente de eventos como cantor gospel. Nas redes sociais, costumava compartilhar registros de suas apresentações e reflexões pessoais, além de momentos de lazer em viagens por cidades como Rio de Janeiro e Gramado. O vice-prefeito de Nova Olinda do Norte utilizou as plataformas digitais para lamentar o falecimento do artista.

Investigação e relato do piloto

As circunstâncias do acidente estão sob investigação policial. Relatos apontam que a lancha enfrentou condições adversas de navegação, incluindo ondas turbulentas conhecidas na região como banzeiros. Um vídeo gravado por uma passageira que ficou à deriva registrou o momento em que ela afirmou ter alertado o condutor: “falei para ir devagar”. O comandante da embarcação, José Pedro da Silva Gama, chegou a ser detido em flagrante no porto de Manaus, mas obteve liberdade mediante pagamento de fiança e responderá judicialmente pelo incidente. A Justiça havia solicitado a prisão preventiva do piloto no sábado (14), enquanto as apurações sobre as causas do naufrágio prosseguem.

As equipes de resgate enfrentam dificuldades operacionais devido à força das correntes e às mudanças de direção das águas no encontro dos rios Negro e Solimões. Para auxiliar nos trabalhos, o Grupamento de Bombeiros Marítimo de São Paulo enviou um reforço composto por seis militares, incluindo um capitão. A Marinha do Brasil também atua na área com aeronaves, embarcações e mergulhadores. Inicialmente, o Corpo de Bombeiros divulgou que sete pessoas estavam desaparecidas, mas o número foi revisado para cinco após a localização de Fernando e a correção da lista de passageiros pelas autoridades competentes.

Operação de resgate e sobreviventes

O naufrágio deixou dezenas de pessoas na água, sendo que 71 foram resgatadas com vida. Imagens divulgadas pela imprensa local mostraram sobreviventes, incluindo crianças, aguardando socorro em botes salva-vidas e sendo auxiliados por outras embarcações que passavam pelo local no momento do ocorrido. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), cinco adultos receberam atendimento médico em unidades da rede estadual e já receberam alta hospitalar. As buscas continuam na região do acidente e nas margens dos rios para localizar as cinco pessoas que ainda não foram encontradas pelas equipes de salvamento.