Ibovespa recua e dólar oscila na volta do Carnaval com cenário externo

Índices europeus batem recorde com setor de defesa e FGC anuncia medida para 6 milhões de credores do Will Bank após liquidação.

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O mercado financeiro brasileiro retomou as atividades após o feriado de Carnaval com o Ibovespa registrando recuo e o dólar apresentando oscilações, descolando-se de seus pares internacionais. Enquanto o cenário doméstico passa por ajustes, as bolsas na Europa atingiram novas máximas históricas, impulsionadas principalmente pelos setores financeiro e de defesa. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 1,19%, acompanhado por altas expressivas no FTSE 100 de Londres e no DAX de Frankfurt. Investidores no continente europeu também monitoram rumores sobre a possível saída antecipada de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu antes do término de seu mandato em 2027.

Nos Estados Unidos, o clima foi de cautela, com os principais índices de Nova York fechando a semana anterior em direções opostas e saldo negativo, influenciados por dados de inflação e preocupações com a inteligência artificial. A política monetária americana permanece no foco, com declarações de Austan Goolsbee, do Federal Reserve de Chicago, sobre o futuro das taxas de juros. Em entrevista, ele ponderou sobre as condições para novos cortes: “Acho que os juros podem cair mais, até mesmo vários cortes adicionais, em relação ao nível atual. Mas isso depende de a inflação voltar à trajetória rumo aos 2%”.

Destaques nas ações e empresas

No ambiente corporativo brasileiro, as ações apresentaram volatilidade significativa. Os papéis preferenciais da Raízen recuaram quase 6% em meio a informações sobre uma possível divisão da companhia para solucionar questões de endividamento. Em contrapartida, as ações ordinárias da Eneva subiram mais de 8%, revertendo perdas anteriores, e a Usiminas registrou alta de 4,81%, com analistas destacando a geração de caixa da siderúrgica. Outras empresas, como TIM e BB Seguridade, intensificaram movimentos de queda, pressionando o índice local para o campo negativo.

Outro ponto relevante envolve o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que anunciou a antecipação do pagamento de garantias aos credores do Will Bank, instituição que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central. A medida visa beneficiar cerca de 6 milhões de clientes diretos com valores a receber de até R$ 1 mil. A decisão de antecipar os pagamentos ocorreu mesmo sem o envio da lista de credores pelo liquidante, considerando o perfil dos clientes afetados, que poderão solicitar a garantia diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.

Meta de inflação e política monetária

Ainda sobre o cenário macroeconômico global, a persistência da inflação nos Estados Unidos continua sendo um obstáculo para a flexibilização monetária desejada pelo mercado. Goolsbee reforçou que o cenário atual ainda não condiz com as metas estabelecidas pela autoridade monetária, o que gera incertezas sobre o ritmo de cortes de juros. Ao analisar os dados de preços, ele afirmou categoricamente: “Neste momento, não estamos em um caminho de volta aos 2%. Estamos meio que presos em 3%, e isso não é aceitável.” Essa conjuntura externa, somada à aversão ao risco, mantém os investidores em alerta.