O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, encerrou as negociações desta quarta-feira, dia 18 de fevereiro de 2026, em território negativo, registrando uma queda de 0,24% e atingindo a pontuação de 186.016. O movimento de baixa marcou o retorno das atividades após o feriado de Carnaval e foi fortemente influenciado pelo desempenho das ações da Vale, que possuem grande peso na composição da carteira teórica do índice. Os papéis ordinários da mineradora recuaram 3,57%, cotados a R$ 83,92, em um dia caracterizado por um volume financeiro expressivo de R$ 76,3 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções. A oscilação do índice variou entre a mínima de 185.001 e a máxima de 187.657 pontos durante o pregão.
A desvalorização da Vale refletiu um ajuste em relação aos recibos de ações (ADRs) negociados no exterior, que já haviam reagido ao cenário internacional enquanto o mercado brasileiro permanecia fechado. Além do ajuste técnico, pesaram sobre a companhia as incertezas referentes à demanda chinesa por minério de ferro e o aumento dos estoques nos portos asiáticos. Analistas da XP apontam que, embora a commodity esteja próxima de US$ 108 a tonelada, há sinais de fraqueza no consumo. A corretora também observa que a ampliação da capacidade produtiva da mina de Simandou, na Guiné, representa um fator de risco para os preços a partir de 2027, projetando uma cotação média de US$ 100 a tonelada para o corrente ano, dada a improbabilidade de aumento na demanda siderúrgica no curto prazo.
Cenário externo e commodities
No ambiente internacional, as bolsas de Nova York fecharam em alta, com o S&P 500 avançando 0,56%, o Dow Jones subindo 0,26% e o Nasdaq registrando ganho de 0,78%. O mercado norte-americano reagiu à divulgação da ata do Federal Reserve, que reforçou a possibilidade de manutenção de juros elevados caso a inflação persista fora da meta. Paralelamente, o setor petrolífero brasileiro operou na contramão da Vale, beneficiado pela alta dos preços do petróleo devido às tensões geopolíticas envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. As ações da Raízen PN lideraram os ganhos com alta de 6,35%, seguidas pela PetroRecôncavo, que subiu 3,59%. A Petrobras também acompanhou o movimento positivo, com seus papéis ordinários e preferenciais registrando valorização.
Apesar do desempenho negativo pontual do índice nesta quarta-feira, as perspectivas de médio prazo para o mercado brasileiro permanecem otimistas entre os especialistas. Uma pesquisa realizada pelo Bank of America (BofA) indica que 74% dos gestores de fundos da América Latina projetam o Ibovespa acima dos 190 mil pontos ainda em 2026. Dentre os entrevistados, 30% estimam que o índice possa ultrapassar a barreira dos 210 mil pontos até o final do ano. Esse otimismo é corroborado pelo fluxo de capital externo: até o dia 12 de fevereiro, investidores estrangeiros já haviam alocado R$ 34,6 bilhões em ações listadas na B3, um montante que supera o total investido durante todo o ano de 2025, que foi de R$ 25,4 bilhões.
Grandes investidores e projeções
O interesse pelo mercado de capitais brasileiro também atraiu a atenção de investidores globais de renome. Documentos enviados à Securities and Exchange Commission (SEC) revelam que Stanley Druckenmiller, por meio do Duquesne Family Office, realizou uma aposta significativa no país no último trimestre. O investidor adquiriu cerca de 3,5 milhões de cotas do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), além de posições em opções de compra. Embora o momento exato da entrada não seja preciso, o movimento coincide com um período de valorização do Ibovespa, que subiu mais de 10% nos últimos três meses do ano anterior. Na ponta negativa do pregão atual, destacaram-se as quedas do GPA, que recuou 4,55%, e do IRB(Re), que cedeu 3,03% repercutindo resultados trimestrais abaixo do esperado.
