O presidente Luiz Inácio Lula da Silva corrigiu publicamente o repórter Tiago Eltz, da Globo, durante uma coletiva de imprensa realizada em Nova Deli, na Índia. O episódio ocorreu no último sábado (21), quando o jornalista questionou o chefe de Estado sobre a recepção de brasileiros residentes nos Estados Unidos.
Tiago Eltz sugeriu em sua pergunta que o governo brasileiro teria manifestado interesse em receber criminosos enviados pela gestão de Donald Trump. O jornalista baseou seu questionamento na política de deportação e combate à imigração irregular defendida pelo presidente americano.
Lula interrompeu a fala do repórter imediatamente para negar a interpretação dada aos seus comentários anteriores. O presidente afirmou que a formulação da pergunta poderia criar uma impressão falsa sobre o teor da conversa com o líder estrangeiro e disparou: “Não, você não ouviu isso aqui”.
Esclarecimento sobre extradição
O mandatário brasileiro destacou que o objetivo do governo não é meramente receber indivíduos, mas sim garantir a prisão de envolvidos com o crime organizado. Ele citou especificamente o caso de apreensões de combustíveis vinculadas a uma pessoa que reside atualmente na cidade de Miami.
Lula detalhou que cinco navios contendo 250 milhões de litros de gasolina foram bloqueados e o material entregue para a Petrobras. Segundo o presidente, as autoridades brasileiras já enviaram ao governo dos Estados Unidos a localização e a identificação do suspeito para que ele responda pelos crimes no Brasil.
Combate ao crime organizado
O presidente reforçou que a cooperação com os Estados Unidos deve servir para desarticular esquemas ilícitos que operam de forma transnacional. Ele enfatizou que a palavra correta para descrever a intenção do governo brasileiro é prender e não apenas receber os investigados.
A declaração foi encerrada com a reiteração de que as provas contra os envolvidos no esquema de combustíveis já foram compartilhadas com a administração Trump. O governo brasileiro aguarda agora os trâmites necessários para que os responsáveis pelo crime organizado sejam devidamente processados no território nacional.
