Rainha de bateria detona ausência de mulheres negras: ‘O Carnaval é uma manifestação cultural preta’

Valeska Reis, rainha de bateria da Mocidade Unida da Mooca, desabafou nas redes sobre ser uma das poucas mulheres negras a ocupar o posto no Carnaval.

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A rainha de bateria da Mocidade Unida da Mooca, Valeska Reis, de 37 anos, aproveitou o momento pós-folia para refletir sobre o seu papel de destaque no Carnaval de 2026. Neste ano, a agremiação paulistana fez a sua grande estreia no cobiçado Grupo Especial, elevando ainda mais a visibilidade dela na passarela do samba.

Através de suas redes sociais, a veterana abriu espaço para interagir com os seguidores e foi questionada de forma direta sobre o fato de ser uma das poucas mulheres negras a ocupar a posição de rainha de bateria. Sem rodeios, a artista lamentou a triste constatação e fez questão de apontar a profunda contradição existente na estrutura da festa.

A contradição do poder no samba

Ao responder aos fãs, Valeska foi incisiva sobre o sentimento de ocupar aquele espaço restrito. “Nada confortável! Eu me sinto potente, mas também consciente. O Carnaval é uma manifestação cultural preta, mas ainda é um espaço onde o poder nem sempre reflete essa origem”, desabafou a rainha de bateria, evidenciando a desigualdade estrutural nos postos de maior vitrine.

A modelo tem total propriedade para analisar o cenário da folia paulistana. Com vasta experiência no currículo e passagens marcantes por escolas tradicionais como Império de Casa Verde, Acadêmicos do Tatuapé e Unidos de Vila Maria, ela reconhece perfeitamente a imensa disputa e as barreiras impostas para se alcançar a posição de destaque à frente dos ritmistas.

Esforço e símbolo de resistência

Por essa razão, Valeska Reis destacou que enxerga a sua presença na avenida como um ato de afirmação, o que acaba exigindo dela um esforço diário. “Ser uma das poucas rainhas negras mostra que ainda existe um recorte racial nos lugares de destaque. E eu não ignoro isso. Eu honro. Trabalho o dobro”, declarou.

Para concluir a sua reflexão com os seguidores, a sambista ressaltou o forte compromisso que carrega ao representar tantas outras mulheres no Anhembi. “Eu me preparo o triplo. Porque sei que minha presença ali é símbolo de resistência, excelência e permanência”, finalizou a rainha de bateria, reafirmando o seu orgulho e dedicação irrestrita à cultura do Carnaval.