Um homem de 56 anos com falência hepática passou por um procedimento inédito ao ser conectado a um fígado de porco geneticamente modificado na China. A intervenção ocorreu no Hospital Xijing da Universidade Médica da Força Aérea, localizado em Xi’an, conforme informações publicadas pela revista Nature.
O órgão suíno permaneceu fora do corpo do paciente e foi acoplado a um equipamento de filtragem sanguínea por alguns dias. De acordo com o cirurgião Lin Wang, a estratégia funcionou como uma terapia ponte enquanto o homem aguardava a disponibilidade de um órgão humano.
Após o período de suporte externo, o paciente recebeu o transplante de um doador humano e apresenta boa recuperação. O método utilizado é denominado perfusão extracorpórea, técnica em que um órgão externo assume temporariamente as funções vitais do órgão enfermo.
Procedimento com fígado suíno
O paciente sofria de infecção crônica por hepatite B e lesões hepáticas associadas ao consumo de álcool, resultando em uma piora súbita do quadro clínico. Diante da ausência imediata de um doador em Xangai, a equipe médica obteve consentimento da família para testar o suporte com o fígado suíno.
O órgão utilizado possuía seis alterações genéticas realizadas pela empresa ClonOrgan Biotechnology para reduzir significativamente os riscos de rejeição. Três genes do animal foram desativados e outros três genes humanos foram inseridos para garantir a produção de proteínas compatíveis com o organismo do receptor.
Inovação na medicina chinesa
Tubos foram conectados a uma veia na perna do homem para redirecionar o fluxo sanguíneo diretamente para o fígado do animal. Os médicos relataram que não houve sinais de rejeição e a função hepática do próprio paciente demonstrou melhoras durante o período de auxílio.
Especialistas indicam que o uso de xenotransplantes pode reduzir a mortalidade nas filas de espera, embora o processo ainda envolva riscos elevados. Pacientes que se submetem a esse tipo de tecnologia precisam utilizar medicamentos imunossupressores de forma contínua para evitar ataques do sistema imunológico.
