A percepção negativa sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a crescer e atingiu 40%, segundo pesquisa Datafolha publicada neste sábado (7) pela Folha de S.Paulo. O levantamento ocorre a sete meses do primeiro turno das eleições presidenciais e revela um cenário de polarização. Enquanto 32% dos entrevistados avaliam a gestão como ótima ou boa, 26% classificam o governo como regular e 1% não soube opinar.
Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2025, a taxa de avaliação ruim ou péssima subiu de 37% para 40%, variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A avaliação positiva permaneceu estável em 32%, enquanto o grupo que considera o governo regular caiu de 30% para 26%, sugerindo migração de parte desses eleitores para a faixa mais crítica.
Aprovação de Lula permanece estável apesar de medidas econômicas
Mesmo após iniciativas do governo para melhorar a percepção econômica, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, o impacto na popularidade ainda não foi significativo. O Datafolha ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 3 e 5 deste mês, com nível de confiança de 95%.
Quando a avaliação é sobre o desempenho pessoal do presidente, o país também aparece dividido: 49% desaprovam o trabalho de Lula e 47% aprovam, enquanto 4% não souberam responder. No levantamento anterior, a aprovação era de 49% e a desaprovação de 48%, indicando estabilidade estatística.
Polarização política e recortes sociais ampliam diferenças
Os dados mostram forte relação entre a avaliação do governo e o voto no segundo turno de 2022. Entre quem votou em Lula, 86% aprovam sua gestão, enquanto 90% dos eleitores de Jair Bolsonaro dizem desaprová-la. A pesquisa também revela diferenças relevantes por perfil: homens desaprovam mais que mulheres, e o grupo evangélico registra o maior índice de rejeição, com 66% de desaprovação. Na comparação histórica do Datafolha, Lula aparece entre os presidentes com maior avaliação negativa após três anos de mandato, ficando atrás apenas de José Sarney e Jair Bolsonaro em período equivalente.
