Caso PM Gisele – por mensagem, tenente-coronel chamava esposa morta de burra: ‘lugar de mulher é em casa’

Tenente-coronel foi preso na manhã desta quarta-feira (18) e teor das mensagens foram reveladas.

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A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana ganhou um novo capítulo após a Corregedoria da Polícia Militar conseguir acessar mensagens trocadas entre ela e o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O conteúdo extraído do celular do oficial passou a ser considerado peça importante no inquérito, ao indicar um histórico de conflitos, humilhações e possível violência psicológica dentro do relacionamento.

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O oficial foi preso na manhã de quarta-feira (18), após a Justiça Militar decretar sua prisão preventiva, com base nos indícios de feminicídio e fraude processual. As mensagens obtidas mostram que Gisele relatava com frequência comportamentos que classificava como abusivos, inclusive dentro do ambiente de trabalho, onde o marido a observava por longos períodos, o que aumentava o constrangimento.

Troca de mensagens entre Gisele e o marido

Em um dos trechos, a policial desabafa sobre o tratamento recebido ao longo da relação e diz que o marido gosta de humilhá-la. Em outra mensagem, ela reforça o limite emocional diante das atitudes do marido. “Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca”, afirmou.

As conversas também apontam declarações consideradas machistas por parte do tenente-coronel, que teriam reforçado a visão de uma relação baseada em controle e submissão. “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido”, disse. Para a Corregedoria da PM, o material analisado vai além de desentendimentos comuns e indica uma dinâmica marcada por pressão psicológica constante, com tentativas de desqualificação e domínio sobre a vítima.

Mensagens de celular

Os investigadores entendem que o conteúdo do celular ajuda a contextualizar o ambiente vivido por Gisele antes da morte e fortalece a linha de apuração que aponta para feminicídio. A Polícia Civil já havia concluído, com base em laudos periciais, que a cena do crime pode ter sido alterada, e que a versão inicial de suicídio não se sustenta diante das evidências reunidas até o momento.