Decisão de última hora sobre greve dos caminhoneiros acontece após reunião

Categoria discute fiscalização do frete e preço do diesel em encontro com lideranças nesta quarta-feira.

PUBLICIDADE

Lideranças dos transportadores autônomos de carga agendaram uma reunião para a tarde desta quarta-feira, dia 18, visando analisar as iniciativas divulgadas pelo governo federal. O encontro, marcado para as 16h, definirá se as ações do Executivo são suficientes para suspender a ameaça de uma greve dos caminhoneiros nacional. Apesar das negociações em curso e dos acenos recentes das autoridades, a interrupção das atividades não foi descartada pelos motoristas, que aguardam garantias concretas para deliberar sobre o movimento. A categoria mantém o estado de alerta enquanto avalia o impacto real das propostas apresentadas para o setor de transportes, buscando assegurar melhores condições de trabalho.

PUBLICIDADE

A assembleia foi confirmada por Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava). Segundo o representante, houve um diálogo com a Casa Civil na noite anterior, onde o governo teria sinalizado o “travamento” do custo mínimo do frete. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a fiscalização será intensificada para garantir o cumprimento do piso mínimo. Empresas que descumprirem a tabela poderão sofrer autuações rigorosas e até ser impedidas de operar. O governo busca demonstrar empenho na regulação do mercado para evitar o colapso logístico, prometendo sanções duras contra infratores.

Reivindicações sobre pedágio e combustível

Mesmo com a promessa de rigor na fiscalização, os caminhoneiros sustentam uma pauta de reivindicações mais abrangente. A classe defende a isenção de pedágio para caminhões vazios em momentos de crise, situação que poderia ser identificada pela suspensão dos eixos dos veículos. O grupo cobra também uma atuação firme da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério da Justiça no controle do preço do diesel. A criação de um teto emergencial para o combustível é outra demanda central, visando proteger a rentabilidade dos autônomos diante das oscilações frequentes do mercado.

As exigências incluem ainda debates sobre a reestatização da Petrobras e críticas às medidas já adotadas, como a desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel. As lideranças apontam que os descontos tributários não chegaram efetivamente às bombas. De acordo com Landim, a iniciativa não teve efeito prático e foi seguida por um aumento, por parte da Petrobras, de R$ 0,38 no preço do combustível. A percepção de ineficácia das ações fiscais alimenta a insatisfação da categoria, que exige soluções estruturais em vez de paliativas. A pressão sobre a política de preços continua sendo um ponto de divergência significativo nas negociações atuais.

Definição sobre o movimento paredista

O cenário segue indefinido enquanto a categoria pondera se as propostas apresentadas mitigam a crise no transporte rodoviário de cargas. A decisão final sobre uma possível greve dependerá exclusivamente do consenso alcançado na reunião desta tarde. As lideranças buscam assegurar a viabilidade econômica da profissão, exigindo respostas rápidas para a volatilidade dos custos operacionais. Enquanto isso, o governo tenta evitar os transtornos de abastecimento que uma paralisação causaria. O resultado do encontro determinará os rumos da mobilização e se haverá continuidade no transporte de cargas ou o início de um novo bloqueio nas estradas pelo país.