A Polícia Civil de São Paulo apura a morte da estudante de medicina Carolina Andrade Zar, de 22 anos, ocorrida em maio de 2025, em Marília. O caso, inicialmente tratado como ato voluntário, passou a incluir suspeitas de indução e possível aborto provocado com participação do então namorado. Antes de morrer por intoxicação por arsênio, conforme o IML, a jovem deixou um dossiê com cerca de 60 páginas e um áudio de 17 minutos detalhando o relacionamento.
Nos registros, Carolina relata que o companheiro reagiu mal à gravidez, levantando suspeitas e pressionando pela interrupção. Segundo os materiais, ele teria feito ameaças emocionais e afirmado que também tiraria a própria vida caso ela levasse a gestação adiante. Em um dos trechos, a estudante afirmou que suportou situações difíceis em silêncio ao longo da relação.
Pressão e interrupção da gestação
De acordo com o conteúdo reunido pela vítima, o namorado insistiu no aborto e chegou a providenciar medicamentos e um local para o procedimento. O casal permaneceu por horas em um quarto de hotel, e ela relata ter sido impedida de desistir mesmo com dores. Em mensagens, ele alegava não estar preparado para ter um filho. A jovem chegou a considerar uma forma de evitar o uso da substância sem que ele percebesse.

Após o episódio, ainda com cerca de 12 semanas de gestação, Carolina apresentou sintomas como febre alta e mal-estar. O estado emocional dela piorou nos meses seguintes. O pai relatou que a filha demonstrava arrependimento e sofrimento, repetindo que queria o filho de volta. Também houve tentativas de diálogo com a família do namorado, em mensagens onde ela expunha sua dor.
Apuração segue sob sigilo
O pai da estudante sustenta que a decisão final não partiu exclusivamente dela e defende a responsabilização do ex-companheiro. Segundo ele, a filha desejava a maternidade e não teria tomado tal decisão por conta própria. A família busca que o caso sirva de alerta para outras situações semelhantes. A investigação segue em andamento e está sob sigilo.
