Caso PM Gisele: imagem do pescoço é divulgada e levanta nova suspeita contra tenente-coronel

Relatório contesta versão de tenente coronel e descreve que oficial tirou a vida da esposa; prisão é decretada em duas frentes.

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O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso em São José dos Campos por ordem da Justiça Militar e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital. Ele também se tornou réu na Justiça comum após denúncia do Ministério Público por crime contra mulher e fraude processual, no caso da morte da soldado Gisele Alves Santana, ocorrida há cerca de um mês no apartamento do casal.

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Imagem do pescoço reforça suspeitas

Um dos pontos centrais do inquérito é a fotografia do pescoço da vítima, produzida pelo médico-legista. A imagem registrou marcas consideradas compatíveis com compressão manual, indicando possível imobilização por trás. A perícia sustenta que Gisele foi contida na sala antes do disparo, que teria ocorrido a curtíssima distância, de trás para a frente e em trajetória ascendente.

Os peritos também identificaram padrões de sangue no ambiente que sugerem movimentação do corpo após o tiro. A leitura das manchas indica sangramento com a vítima ainda em posição vertical, o que contraria a versão de que ela já estaria caída. Há ainda indícios de que o corpo foi reposicionado e a arma colocada em sua mão, além de sinais de limpeza no local.

Mensagens e contradições

A investigação aponta que o oficial demorou 27 minutos para acionar socorro. Conversas analisadas revelam um relacionamento marcado por controle. Em uma delas, ele afirma que Gisele deveria ser “obediente e submissa, como toda mulher deve ser.” Em outro trecho, escreveu: “Enquanto você estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito.” Ela respondeu: “Achei que você era um príncipe, cavalheiro, romântico, galanteador, perdeu toda a essência e me trata de qualquer jeito.” E ele retrucou: “Sou mais que um príncipe, sou rei religioso, honesto, bonito, gostoso, provedor e soberano.”

O inquérito segue sob sigilo, enquanto a defesa questiona as prisões simultâneas nas esferas militar e comum.