Caso Gisele: promotor aponta que mensagens de tenente-coronel seguem padrão de grupos misóginos

Análise indica uso de linguagem que reforça discurso de ódio e inferiorização feminina.

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Durante o evento Como avançar na investigação de homicídios, organizado pelo Instituto Sou da Paz em São Paulo, o promotor Danilo Pugliese, integrante do Gaeco, defendeu a necessidade de aplicar uma perspectiva de gênero na apuração de crimes de feminicídio.

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Na ocasião, ele destacou ter identificado padrões de linguagem típicos de grupos misóginos nas conversas de aplicativo do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, que se encontra detido sob a acusação de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 33 anos. O promotor explicou ao UOL que o vocabulário empregado pelo tenente-coronel em mensagens enviadas à esposa reflete padrões observados em investigações sobre plataformas digitais dedicadas a crimes misóginos.

Discurso misógino estrutural

Segundo ele, o léxico utilizado busca rebaixar a mulher a uma condição de inferioridade e subalternidade em relação ao homem, reproduzindo discursos típicos desses grupos virtuais. O promotor, que não está diretamente envolvido no caso, ressaltou que a presença dessas expressões em contextos tão distintos demonstra como esse tipo de retórica discriminatória tem conquistado novos espaços na sociedade.

Danilo Pugliese atuou como um dos promotores do Gaeco na investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo sobre o Discord em 2023, motivada pelo crescimento de crimes contra crianças e adolescentes. Naquele período, as apurações resultaram em inquéritos focados em violência sexual e no incentivo à automutilação e ao suicídio de jovens do sexo feminino.

Misoginia se espalha

O promotor ressaltou que a misoginia era um elemento constante nesses casos, notando que esse padrão de comportamento, inicialmente concentrado em uma única plataforma, acabou se disseminando por diversos outros canais digitais em todo o país.