Novos detalhes da investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves trouxeram à tona informações que reforçam a suspeita de feminicídio. De acordo com relatório da Corregedoria da Polícia Militar, o tenente-coronel Geraldo Neto realizou ao menos oito ligações após encontrar a esposa baleada no apartamento do casal, no Brás, em São Paulo.
A sequência das chamadas chamou a atenção dos investigadores, principalmente pelo intervalo entre o disparo e o pedido efetivo de socorro. A primeira ligação ao 190 foi feita às 7h54, mas o oficial não aguardou atendimento. Em seguida, tentou contato com um superior antes de retornar novamente ao serviço de emergência.
Histórico de ligações
Somente às 7h57 ele fez uma ligação completa solicitando socorro, o que levantou dúvidas sobre a conduta adotada no momento crítico. Além disso, o tenente-coronel também entrou em contato com um desembargador logo após os primeiros telefonemas, o que foi registrado no relatório oficial.

Investigação da morte da PM Gisele
As investigações também revelaram mensagens no celular do oficial que indicam um comportamento controlador e agressivo em relação à vítima. Em um dos trechos, Gisele demonstrava insatisfação com o relacionamento. “Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca”, disse.
Para a Corregedoria, o conjunto de provas aponta para um histórico de violência psicológica e reforça a tese de feminicídio. O caso segue em andamento e deve ser julgado pela Justiça comum, com possibilidade de levar o acusado a júri popular.
