Conversas registradas no inquérito policial mostram um momento de tensão entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e agentes que tentavam preservar o local onde sua esposa, Gisele Alves Santana, foi baleada. Os diálogos, incluídos na investigação conduzida pelo 8º Distrito Policial de São Paulo, evidenciam o embate entre o respeito aos protocolos periciais e a hierarquia militar.
Segundo os registros, o oficial insistiu em acessar o apartamento logo após a vítima ser socorrida em estado gravíssimo. No entanto, policiais de menor patente tentaram impedir a entrada, destacando a necessidade de preservar possíveis evidências ainda não analisadas pela perícia.
Entrada do coronel no imóvel contrariou orientações
O caso ganhou novo desdobramento quando o militar foi preso, acusado de feminicídio e também investigado por possível fraude processual. A suspeita é de que ele tenha tentado interferir na cena do crime, o que inclui sua insistência em entrar no imóvel mesmo após recomendações contrárias.
De acordo com o inquérito, nem mesmo a orientação do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan foi suficiente para impedir a entrada do coronel. Durante o episódio, policiais demonstraram preocupação com a possível destruição de vestígios, como resíduos de disparo. “O cara vai lavar a mão, caralho“, disse um Cabo, ao presenciar a movimentação do tenente-coronel.
Comportamento após crime reforça linha de investigação
Os relatos também indicam incômodo entre os agentes diante do tratamento diferenciado ao oficial de alta patente. Mesmo advertido, ele conseguiu acessar o local e permaneceu no interior do apartamento, acompanhado por outros policiais que tentaram restringir sua circulação. Para o Ministério Público de São Paulo, o comportamento do militar após o disparo, incluindo ligações realizadas antes do acionamento do socorro, pode indicar tentativa de alinhar uma versão dos fatos. O episódio passou a ser considerado peça-chave na investigação sobre possível manipulação da cena do crime.
