Filha de 7 anos da PM Gisele procurou avós na véspera do crime aos prantos e fez pedido

Relato da PM aponta agressões psicológicas e tentativa de separação antes do crime.

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Em depoimento à polícia, Marinalva Vieira Alves de Santana detalhou o relacionamento conturbado vivido pela filha, Gisele Alves Santana, encontrada morta em fevereiro no bairro do Brás. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado pela Polícia Civil de São Paulo por feminicídio e fraude processual.

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Segundo a mãe, a filha vivia sob constante vigilância e controle. Ela relatou que Gisele não tinha liberdade nem para atividades básicas, além de sofrer restrições quanto à aparência e à rotina. O comportamento do militar, conforme o depoimento, se tornou mais agressivo com o tempo, levando ao isolamento da vítima em relação à família.

PM Gisele teria relatado ameaças e chantagens

Marinalva também afirmou que o genro apresentava comportamento intimidatório, incluindo episódios de gritos e demonstrações de poder dentro do ambiente familiar. Em uma ocasião, ele teria afirmado ser o responsável financeiro pela casa, utilizando isso como forma de imposição.

Quando Gisele cogitou a separação, o militar teria recorrido à chantagem emocional, chegando a enviar vídeos com ameaças contra a própria vida. Dias antes do crime, a vítima teria ligado para a mãe em desespero, relatando não suportar mais a pressão psicológica vivida no relacionamento.

Filha da militar fez apelo aos avós

Na véspera do crime, a filha da vítima, de apenas 7 anos, procurou os avós chorando e pedindo para não retornar ao apartamento devido às brigas constantes. O caso ganhou novos contornos com a análise da Polícia Científica de São Paulo, que identificou indícios de confronto físico. De acordo com o laudo, foram encontradas lesões compatíveis com pressão e marcas de unha no corpo da vítima, sugerindo que houve luta corporal antes do disparo fatal. Para os peritos, os vestígios reforçam a hipótese de que Gisele tentou reagir à agressão momentos antes de ser morta.