‘Eu nunca fui bandido’: tenente-coronel réu por feminicídio se manifesta em interrogatório

Geraldo Neto disse que sempre salvou vidas e prendeu bandidos enquanto esteve na PM.

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A investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana ganhou novos desdobramentos após o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Neto à Polícia Civil. Preso preventivamente desde quarta-feira (18) e réu por feminicídio e fraude processual, o policial fez uma defesa enfática de sua trajetória profissional e negou qualquer conduta criminosa. “Eu nunca fui bandido, doutor. Eu sempre salvei vidas, prendi criminosos”, disse.

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Durante o depoimento, Geraldo afirmou que sempre pautou sua atuação pelos princípios da Polícia Militar e destacou sua carreira de mais de 35 anos. Ele também relatou que sua primeira atitude após o ocorrido foi abrir a porta do apartamento para os policiais, com o objetivo de evitar qualquer suspeita de adulteração da cena. Segundo ele, a intenção era demonstrar transparência diante da gravidade da situação.

Relacionamento com Gisele Alves

O tenente-coronel também abordou questões pessoais do relacionamento com Gisele, apontando a dependência financeira da esposa como um dos principais obstáculos para a separação do casal. De acordo com o depoimento, ela enfrentava dificuldades por conta de empréstimos e despesas, o que teria adiado o fim definitivo da relação. Ele afirmou ainda que contribuía mensalmente com valores entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, além de arcar com despesas da casa.

Em relação ao dia anterior à morte, Geraldo descreveu uma rotina aparentemente tranquila, que incluiu momentos separados e uma conversa prolongada entre o casal no fim da tarde. Segundo ele, o diálogo durou cerca de duas horas e envolveu uma reflexão sobre o relacionamento e a possibilidade de separação.

Geraldo Neto levantou dúvidas nos investigadores

Apesar da versão apresentada pelo investigado, o Ministério Público aponta elementos que contradizem a hipótese de suicídio. Laudos periciais, mensagens e a reprodução simulada indicam que Gisele foi vítima de feminicídio, com indícios de que o disparo foi efetuado pelo próprio marido. Além disso, a conduta de Geraldo no local, registrada por câmeras corporais, levantou suspeitas de manipulação da cena, reforçando a acusação de fraude processual e mantendo o foco da investigação na responsabilização criminal do oficial.