A perícia técnica da Polícia Civil de São Paulo conseguiu recuperar mensagens cruciais que haviam sido deletadas do aparelho celular da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O relatório, concluído nesta quarta-feira (25), aponta que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, teria manuseado o dispositivo da esposa minutos após ela ser atingida por um disparo na cabeça, no dia 18 de fevereiro.
O oficial, que está detido desde o dia 18 de março, é o principal suspeito pelo crime contra mulher ocorrido no apartamento do casal, localizado no centro da capital paulista.
Gisele pediu divórcio ao marido
Os diálogos recuperados contradizem diretamente o depoimento prestado pelo oficial à época dos fatos. Geraldo Neto sustentava a versão de que Gisele teria tirado a própria vida por não aceitar o término do matrimônio proposto por ele. No entanto, o conteúdo técnico revela que era a soldado quem insistia na separação, chegando a pedir que o marido iniciasse os trâmites do divórcio ainda naquela semana.
Em uma das mensagens enviadas na noite anterior ao ocorrido, a vítima afirmou: “Vejo que se arrependeu do casamento, eu também, e tem todo o direito de pedir o divórcio. Não quero nada seu, como te disse, eu me viro pra sair. Tenho minha dignidade. Pode entrar com o pedido [de divórcio] essa semana.“.
Evidências de controle e conflitos matrimoniais
O relatório do 8º Distrito Policial (Brás) destaca que o tenente-coronel se definia como “macho alfa” em comunicações com a esposa, o que reforça a tese de uma dinâmica de poder desigual. Segundo a investigação, o oficial teria apagado as conversas para validar sua narrativa de que ele era o responsável pelo pedido de separação. As mensagens indicam que Geraldo Neto demonstrava insatisfação quando Gisele mencionava o divórcio, tentando desviar o assunto com fotos de viagens ou declarações de afeto, agindo de forma contrária ao que declarou em seus depoimentos oficiais. A motivação para o rompimento definitivo, segundo as mensagens de Gisele, estaria ligada a uma suposta traição por parte do coronel com outra profissional da corporação. A soldado relatou ter sido informada sobre o caso extraconjugal e criticou a postura do marido, que utilizava a diferença de rendimentos financeiros entre os dois para rebaixá-la.
