A espanhola Noelia Castillo, de 25 anos, faleceu na quinta-feira (26) após passar por um procedimento de eutanásia autorizado pela Justiça na Espanha. A decisão foi tomada depois de 601 dias de avaliações médicas e disputas judiciais, incluindo tentativas do pai de impedir a medida. Poucos dias antes, ela concedeu entrevista à emissora Antena 3 explicando que buscava encerrar um longo período de sofrimento físico e emocional.
Durante o diálogo com a imprensa, Noelia expôs a divergência de perspectivas entre ela e seus parentes próximos sobre a terminalidade da vida. “Eles me dizem: ‘Você vai embora e nós ficamos aqui com toda a dor da sua partida’, mas eu penso: e toda a dor que eu já sofri? Só quero ir embora em paz e deixar de sofrer”, declarou. A jovem também manifestou um sentimento de isolamento social e falta de identificação com o contexto atual da sociedade, afirmando: “Sempre me senti sozinha, nunca me senti compreendida, nunca tiveram empatia comigo. Não gosto do rumo que o mundo e a sociedade estão tomando; prefiro desaparecer, porque está cada vez pior”.
Histórico clínico e condição de saúde
O quadro clínico envolvia tanto fatores físicos quanto psicológicos. Noelia tinha diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de personalidade borderline, além de viver com paraplegia após uma lesão medular. Ela relatava dores constantes, dificuldades para dormir e limitações que impactavam diretamente sua qualidade de vida, mesmo mantendo certa autonomia em atividades básicas.
A mãe, Yolanda Ramos, disse não concordar com a decisão, mas afirmou respeitar a escolha da filha após anos de sofrimento. Segundo ela, o período foi marcado por instabilidade emocional e esperança de que Noelia mudasse de ideia. O caso passou por uma comissão independente, que concluiu que todos os critérios legais estavam atendidos.
Decisão judicial e autorização legal
A autorização definitiva só veio após o caso percorrer diferentes instâncias judiciais, inclusive com recursos apresentados pelo pai. A Justiça espanhola baseou a decisão em laudos que indicavam um quadro irreversível, com dor persistente e sofrimento considerado incapacitante.
Durante todo o processo, Noelia manteve sua posição firme. Em sua última manifestação pública, destacou que a vontade individual deve prevalecer sobre o desejo de terceiros, mesmo quando se trata da família. O procedimento foi realizado conforme a legislação de eutanásia vigente na Espanha desde 2021.
