A decisão da Polícia Militar de São Paulo de transferir para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto provocou forte reação da família da soldado Gisele Alves Santana. A medida foi oficializada nesta quinta-feira (2), garantindo ao oficial, preso sob acusação de feminicídio e fraude processual, o direito a uma aposentadoria que deve girar em torno de R$ 21 mil mensais.
O pai da vítima, José Simonal Telles, demonstrou indignação com a rapidez da decisão e com o fato de o acusado continuar recebendo um alto valor mesmo após as acusações. “Você acha justo a população do estado de São Paulo pagar salário para um monstro desse, covarde que matou sua mulher e colega de farda porque disse não pra ele?”, disse. A fala reforça o sentimento de revolta diante do desfecho administrativo do caso.
Desabafo de um pai
A mãe de Gisele, Marinalva Vieira Alves de Santana, também criticou duramente a medida adotada pela corporação. “É muito revoltante ver um assassino desse ser aposentado, é muito triste para nós, revoltante também, um assassino desse se aposentar assim tão rápido”, disse. “Para a minha filha sobrou o caixão”, afirmou o pai enlutado.
Apesar da transferência para a reserva, a Polícia Militar afirma que o processo disciplinar contra o oficial segue em andamento e pode resultar em expulsão da corporação. No entanto, mesmo que isso ocorra, fontes apontam que ele não perderá o direito à aposentadoria, já que o benefício está vinculado ao tempo de serviço prestado.
Investigação da morte
O caso segue sendo investigado após a morte de Gisele, registrada no dia 18 de fevereiro, quando ela foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal, no Brás, em São Paulo. A versão inicial de suicídio foi descartada após laudos e evidências indicarem inconsistências, incluindo a manipulação de mensagens no celular da vítima e relatos de comportamento agressivo por parte do acusado.
