O processo administrativo que apura a conduta do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto dentro da Polícia Militar de São Paulo avança com a convocação de novas testemunhas. Entre elas, estão três policiais militares que eram amigas próximas de Gisele Alves Santana, vítima de um caso investigado como feminicídio. Os depoimentos fazem parte da fase de instrução do Conselho de Justificação.
As oitivas estão marcadas para acontecer nos dias segunda-feira (11) e quinta-feira (14), conforme publicação oficial. As testemunhas serão ouvidas por videoconferência, incluindo uma soldado, um primeiro-tenente, uma subtenente e uma cabo. Além delas, também deve prestar depoimento o policial que atendeu a ocorrência no dia da morte, registrada em fevereiro.
Amigas de Gisele já haviam prestado depoimentos durante investigação do caso
Durante a investigação, as amigas da vítima relataram um histórico de comportamento controlador por parte do tenente-coronel. Segundo os depoimentos já prestados, ele monitorava as redes sociais da esposa, impunha restrições sobre sua aparência e demonstrava atitudes de vigilância constante. As testemunhas também afirmaram que Gisele pretendia encerrar o relacionamento após descobrir uma traição.
Outro ponto destacado pelas declarações é que a policial militar não apresentava sinais de comportamento suicida, o que reforça a linha de investigação adotada pelo Ministério Público. A acusação sustenta que o crime foi cometido pelo oficial, que teria tentado alterar a cena para simular outra circunstância. A defesa nega e mantém a versão de suicídio.
Processo administrativo contra tenente-coronel
O processo administrativo ocorre de forma independente da ação criminal, mas pode ter consequências diretas na carreira do oficial. Caso seja considerado incompatível com os princípios da corporação, ele poderá ser expulso e perder benefícios adquiridos. A decisão final caberá ao Tribunal de Justiça Militar, após análise do parecer emitido pelo Conselho de Justificação.

