O depoimento de uma soldado da Polícia Militar trouxe novos elementos ao processo administrativo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto da corporação. A testemunha, que conviveu com Gisele Alves desde a formação e voltou a trabalhar com ela anos depois, relatou episódios frequentes de controle e comportamento possessivo por parte do oficial.
As declarações foram prestadas inicialmente à Polícia Civil e agora serão analisadas no Conselho de Justificação, procedimento interno que avalia a permanência de oficiais na instituição. Segundo o relato, a rotina da vítima era constantemente monitorada pelo marido, que teria acesso às redes sociais e aplicativos de mensagens dela.
A soldado afirmou que Gisele evitava determinados comportamentos em casa por imposição do companheiro, como o uso de maquiagem e perfume, o que revelaria um ambiente de restrições e vigilância constante. Além disso, a testemunha apontou que o oficial buscava acompanhar de perto as atividades profissionais da esposa.
Gisele estaria com medo antes de morrer
A policial também descreveu episódios que indicariam medo por parte de Gisele dentro do relacionamento. Segundo o depoimento, a vítima confidenciava preocupações sobre o comportamento do marido e demonstrava intenção de reorganizar a vida pessoal. A testemunha destacou que, apesar do cenário, Gisele mantinha foco na filha e na carreira, sem sinais de instabilidade emocional que indicassem risco de suicídio.
Processo administrativo
O processo administrativo em andamento ocorre por meio do Conselho de Justificação, um mecanismo previsto na legislação militar. O colegiado é formado por oficiais de alta patente e tem a função de analisar a conduta moral e profissional do acusado. Mesmo sem decisão na esfera criminal, o conselho pode concluir pela incompatibilidade do militar com a carreira, resultando na perda do posto e da patente.
O tenente-coronel está preso preventivamente e responde também a uma ação penal por feminicídio e fraude processual. A defesa sustenta a versão de suicídio, enquanto o Ministério Público aponta que houve tentativa de encobrir o crime. O depoimento da soldado reforça a linha investigativa de um relacionamento marcado por controle e tensão, agora sob avaliação também na esfera administrativa.

