A reprovação de Jorge Messias pelo Senado abalou o roteiro do governo no Supremo Tribunal Federal e levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a rever o principal critério usado até aqui nas indicações ao STF. A confiança pessoal, que vinha pesando mais que qualquer outro fator, deve perder espaço para nomes com trajetória sólida e melhor leitura política.
Aliados ouvidos no Planalto afirmam que Lula está disposto a escolher um magistrado sem o rótulo de amigo pessoal, prioridade até então marcante nas escolhas de Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente, e de Flávio Dino, ex-ministro da Justiça. Os dois chegaram à Corte com ligação direta e de confiança com o petista.
Indicação ao STF: Lula reavalia estratégia após derrota de Jorge Messias
A rejeição de Messias é tida como a mais dura sofrida pelo governo no Legislativo até agora. O placar de 34 votos favoráveis, sete a menos do que os 41 necessários, expôs problemas na articulação política e acelerou a revisão do desenho da indicação. No entorno do governo, há a leitura de que a escolha vinha sendo tratada como assunto pessoal demais pelo presidente.
A nova orientação prevê ampliar o leque de opções, buscar nomes alinhados ao campo progressista e dar peso à reputação no Congresso. O presidente, contudo, não pretende abrir mão da palavra final no processo. A possibilidade de indicar uma mulher ao STF segue em análise, mas não há nome consolidado, segundo interlocutores.
Lula evita confronto com o Senado e Davi Alcolumbre na próxima escolha
A reapresentação de Messias é considerada improvável por aliados, já que pode ser lida como gesto de confronto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a definição do novo indicado deve sair em breve. Por ora, Lula está concentrado na viagem aos Estados Unidos, onde se reúne com Donald Trump, e a expectativa é que o tema só volte à agenda central após o retorno ao Brasil.

