O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a Washington nesta quinta-feira (7) para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um tema sensível na pauta. O Palácio do Planalto quer evitar que o governo americano classifique facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, medida que vem sendo estudada pela Casa Branca desde 2025.
A preocupação cresceu depois que a imprensa internacional indicou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) podem entrar na lista de grupos terroristas dos Estados Unidos. A proposta faz parte de uma estratégia mais ampla de endurecimento contra o narcotráfico, mas, na visão do governo brasileiro, mexeria com a soberania nacional e poderia abrir espaço para ações americanas mais duras dentro do país.
Por que o governo Lula é contra incluir PCC e CV na lista de Trump
Nos bastidores, auxiliares próximos a Lula dizem que o presidente vai usar o encontro para tentar convencer Trump a não avançar com a medida. A avaliação interna é de que reclassificar as facções como terroristas pode trazer impactos políticos pesados e abrir brechas para intervenções externas. A aposta brasileira é reforçar a cooperação bilateral, com o vice-presidente Geraldo Alckmin defendendo que os dois países atuem juntos no combate ao crime organizado transnacional sem mudar a categoria jurídica das organizações.
O debate também passa por uma diferença de interpretação entre os dois lados. No Brasil, a lei trata o terrorismo a partir de motivações ideológicas, políticas ou religiosas, e o PCC e o CV se enquadram como organizações criminosas voltadas ao lucro. Já os Estados Unidos olham para o impacto fora do território brasileiro, apontando que integrantes do PCC já estariam atuando em estados como Flórida, Nova York e Massachusetts.
O que muda se Trump classificar PCC e CV como organizações terroristas
Para que uma organização entre na lista americana, são exigidos três critérios: ser estrangeira, estar ligada a atividades terroristas e representar ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. A decisão cabe ao secretário de Estado, com posterior análise do Congresso. Caso a classificação avance, podem vir bloqueios de ativos, criminalização de apoio às facções e restrições migratórias. O encontro funciona como um teste do alinhamento entre Brasil e Estados Unidos em segurança internacional.

