A defesa de uma soldado da Polícia Militar de São Paulo levou à Corregedoria da corporação um pedido para investigar o coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso preventivamente como suspeito de envolvimento na morte da própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, em fevereiro deste ano. O pedido aponta possíveis crimes de assédio sexual, assédio moral, ameaça, descumprimento de missão e fraude processual.
O documento foi protocolado pelo advogado Thiago Lacerda, que representa a soldado Rariane da Silva, de 32 anos. Segundo o relato encaminhado à PM, o coronel teria enviado uma série de mensagens insistentes à subordinada, mesmo após ela deixar claro que não desejava qualquer envolvimento amoroso com ele. As investidas teriam começado logo após Neto chegar ao 49º Batalhão da Polícia Militar, em Pirituba, na zona noroeste paulistana.
O que a denúncia contra o coronel Geraldo Leite Rosa Neto aponta
À época ainda tenente-coronel, o oficial teria oferecido à soldado um cargo de ordenança, função semelhante à de secretária. Mesmo antes da resposta da policial, ele já teria informado a outros militares que ela assumiria o posto. Rariane recusou a função, mas, segundo o documento, o coronel afirmou que poderia transferi-la compulsoriamente em razão do poder hierárquico que exercia no batalhão. Com medo de represálias, a soldado pediu para voltar ao patrulhamento nas ruas.
Ainda conforme o relato, o oficial passou a fazer elogios constantes à aparência, postura e comportamento da policial. As mensagens teriam ficado mais incisivas em agosto de 2025. Segundo o documento, Neto dizia que “queria ela para ele”, que o relacionamento deveria acontecer “em off” e afirmava querer beijá-la. Em setembro, a esposa do coronel, Gisele Alves Santana, enviou uma solicitação de amizade para Rariane no Instagram.
O episódio das flores e o uso da viatura citado no caso do coronel
No dia 30 de setembro de 2025, o coronel teria ido até o prédio onde a soldado morava levando um buquê de flores, vestido com roupas civis, óculos escuros e boné. Ao reconhecê-lo na portaria, a policial voltou para casa sem fazer contato. A defesa também afirma que, em outra ocasião, Neto retornou ao endereço da soldado usando viatura oficial e fardado, durante o horário de serviço. A PM informou que o oficial já responde a um Conselho de Justificação.

