A história da pequena Oluwabunmi Aduké Coutinho Bello, chamada pela família de Bunmi, tem chamado atenção para os sinais silenciosos do câncer infantil e para a importância do diagnóstico precoce. Moradora do bairro Anchieta, a menina de 3 anos foi diagnosticada com hepatoblastoma, um raro tumor no fígado que costuma atingir crianças pequenas e pode apresentar sintomas parecidos com problemas comuns da infância.
Desde o nascimento, Bunmi já enfrentava desafios de saúde. Ela nasceu com dextrocardia e má formação pulmonar, permanecendo internada durante os primeiros meses de vida. Após o tratamento inicial, a criança passou a se desenvolver normalmente. Porém, algum tempo depois, começaram a surgir sinais discretos como perda de apetite, emagrecimento, febre e aumento da barriga, sintomas frequentemente associados a situações comuns da infância.
Sinais silenciosos de câncer
A família acreditou inicialmente que a dificuldade para comer estivesse ligada ao nascimento dos dentes ou a fases normais do crescimento infantil. Segundo especialistas, muitos sinais do hepatoblastoma podem realmente ser confundidos com problemas frequentes em crianças, como indisposição, alteração no sono, febres ocasionais e seletividade alimentar. Justamente por isso, o acompanhamento médico é essencial quando os sintomas persistem por muito tempo ou aparecem junto de mudanças físicas importantes, como o inchaço abdominal.
Com a persistência dos sintomas, a pediatra decidiu aprofundar a investigação clínica. Exames de sangue apontaram níveis elevados de alfafetoproteína, marcador relacionado a tumores hepáticos. Em seguida, tomografia e biópsia confirmaram o diagnóstico de hepatoblastoma em estágio avançado, em junho de 2024, no Hospital Estadual da Criança. Apesar da gravidade do quadro, a ausência de metástase trouxe melhores perspectivas de tratamento.
Caso raro
De acordo com a oncologista pediátrica Lilian Maria Cristofani, do Hospital Sírio-Libanês, o hepatoblastoma representa cerca de 1% dos casos de câncer infantil, mas é o tumor maligno mais comum no fígado de crianças pequenas. A especialista reforça que sintomas aparentemente simples, quando persistentes, merecem atenção médica para aumentar as chances de diagnóstico precoce e tratamento eficaz.

