Mascote do TSE para eleições de 2026 gera críticas e reacende debate sobre urnas eletrônicas

Personagem criada para celebrar tecnologia eleitoral virou alvo de ataques e questionamentos nas redes.

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O Tribunal Superior Eleitoral apresentou recentemente a mascote Pilili, criada para representar as urnas eletrônicas e incentivar a participação popular nas eleições de 2026. A personagem faz referência ao som emitido pelo equipamento no instante em que o voto é confirmado pelo eleitor. Apesar da proposta institucional voltada à celebração dos 30 anos da urna eletrônica no Brasil, a iniciativa rapidamente provocou reações nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

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A apresentação oficial da mascote aconteceu durante uma cerimônia comemorativa organizada pela corte eleitoral. No evento, a ministra Cármen Lúcia destacou os impactos da adoção do modelo eletrônico de votação no país desde a substituição das cédulas em papel. “Nesses 30 anos, [a urna eletrônica] acabou com a fraude eleitoral, acabou com a possibilidade de uma pessoa votar por outra, acabou com a possibilidade de não ser o resultado escolhido pelo povo”, afirmou a magistrada durante o lançamento da personagem.

Críticas nas redes ampliam debate sobre confiança no sistema eleitoral

Após a divulgação da mascote, perfis críticos ao tribunal passaram a compartilhar a imagem da personagem em publicações voltadas à contestação do sistema de votação. Parte dos comentários sugeriu que a estratégia de comunicação buscaria suavizar críticas direcionadas ao processo eleitoral e reduzir a seriedade do debate político nas plataformas digitais.

Entre as manifestações repercutidas nas redes esteve a do ex-deputado estadual Arthur do Val, que comentou a criação da mascote ao questionar a estratégia do tribunal. “O TSE está enfrentando uma crise institucional. Eles pensam o seguinte: ‘O que podemos fazer para conter essa crise? E se a gente criasse um personagem, uma urna eletrônica, chamar ela de Pilili?’”, declarou o ex-parlamentar ao comentar a campanha divulgada pela Justiça Eleitoral.

Outros usuários também passaram a defender o retorno do voto impresso em publicações compartilhadas na plataforma X. Em uma das mensagens mais repercutidas, um perfil contestou a fala da presidente do tribunal ao afirmar: “Vamos falar do ‘Pilili’, da nossa famigerada urna eletrônica, tentando trazer de volta a credibilidade. Vem a dona Carmén Lúcia dizendo que elas impediram as fraudes. Eu me sentiria muito mais segura vendo meu voto impresso em papel, vendo contagem pública de votos”.

Especialistas reforçam funcionamento isolado das urnas eletrônicas

Diante da circulação de desinformação sobre o tema, especialistas voltaram a explicar aspectos técnicos relacionados ao funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras. Entre os pontos destacados está o fato de os equipamentos não possuírem conexão com a internet, impedindo invasões remotas durante a votação.

O cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC, detalhou o funcionamento do sistema ao comentar as dúvidas levantadas nas redes. “As urnas eletrônicas não são conectadas à internet. O equipamento nem sequer tem essa possibilidade. Na urna, os votos são computados em um flash card. (…) Não tem como inserir nada. Só roda o software oficial do TSE, que tem os nomes e números dos candidatos e que, portanto, recebe o voto do eleitor”, explicou o especialista.