O presidente da Câmara, Hugo Motta, fechou um acordo para colocar em votação o projeto do governo que extingue a escala 6×1. A medida virou uma das principais apostas políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve avançar junto com a PEC que já tramita na Câmara. Nos bastidores, aliados afirmam que Motta resistia ao texto enviado pelo Palácio do Planalto sem alinhamento prévio.
Até então, o presidente da Câmara preferia concentrar esforços na PEC relatada pelo deputado Léo Prates, aliado político de Motta. A proposta constitucional possui tramitação mais lenta e exige negociações mais amplas, o que ampliaria o protagonismo da Câmara no debate sobre a redução da jornada de trabalho.
Disputa política acelerou votação da proposta
O embate nos bastidores também envolveu a disputa pelos ganhos políticos da medida. Enquanto a PEC fortaleceria a imagem de Hugo Motta, o projeto de lei enviado pelo governo leva diretamente a assinatura de Lula. Com a aproximação recente entre Câmara e Planalto, o clima de disputa perdeu força e abriu espaço para um acordo político.
O governo decidiu acelerar o tema após parlamentares governistas acusarem a Câmara de tentar empurrar a discussão para depois das eleições. Como o texto tramita em regime de urgência, ele poderá travar a pauta do plenário a partir de 30 de maio, impedindo a votação de outros projetos caso não seja analisado.
Nova jornada prevê 40 horas semanais e dois dias de descanso
O parecer de Léo Prates será apresentado na próxima quarta-feira (20) e deve trazer mudanças importantes. A proposta prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, além de incluir na Constituição o direito a dois dias de descanso por semana. O texto também permitirá flexibilizações para categorias com escalas específicas e acordos coletivos diferenciados.

