Lula lava as mãos sobre áudio de Flávio Bolsonaro e diz: ‘É um caso de polícia, não é meu’

Planalto evita confronto direto, enquanto PT parte para ofensiva pesada contra Flávio Bolsonaro após vazamento bombástico.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou comentar o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Durante agenda na Bahia, Lula afirmou que o caso deve ser tratado pelas autoridades policiais e reforçou que sua prioridade é governar, cuidar da Petrobras e estimular o emprego no país. A declaração ocorreu após questionamento da CNN Brasil sobre o conteúdo divulgado pelo The Intercept Brasil. “Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu.”, afirmou Lula.

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No áudio revelado pela imprensa, Flávio Bolsonaro aparece pedindo a Vorcaro apoio financeiro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente condenado por tentativa de golpe de Estado. O senador negou qualquer irregularidade e declarou que buscava apenas recursos privados para o projeto, sem oferecer vantagens em troca. Já a defesa de Vorcaro preferiu não comentar o caso.

PT entra em campo e amplia pressão nas redes

Nos bastidores do Planalto, aliados afirmam que Lula decidiu manter distância de confrontos diretos com Flávio Bolsonaro antes das eleições. A estratégia do governo é concentrar o discurso nas ações da atual gestão e deixar os ataques políticos sob responsabilidade do PT, parlamentares e aliados nas redes sociais.

A reação petista veio rápida. O pré-candidato ao governo paulista Fernando Haddad declarou que Vorcaro e os Bolsonaro estariam totalmente conectados politicamente. Em entrevistas, Haddad sugeriu que todas as relações do empresário teriam origem no governo Bolsonaro. Paralelamente, deputados ligados ao PT divulgaram vídeos produzidos com inteligência artificial reforçando vínculos entre Vorcaro, Jair Bolsonaro e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.

Escândalo pode afastar eleitores moderados

Integrantes do governo avaliam que o episódio pode gerar forte desgaste eleitoral para Flávio Bolsonaro, especialmente após operações recentes da Polícia Federal envolvendo aliados do bolsonarismo. Embora a base mais fiel de Jair Bolsonaro permaneça ao lado do senador, interlocutores acreditam que eleitores de centro podem se distanciar da candidatura diante da repercussão do caso.