Investigação no STF mira repasses culturais ligados a aliados de Bolsonaro e ao filme Dark Horse

Decisão de Flávio Dino envolve parlamentares do PL e apura possível uso irregular de emendas parlamentares.

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação preliminar para analisar possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares voltadas a projetos culturais. Entre os alvos da apuração está o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida também envolve parlamentares e ex-parlamentares ligados ao Partido Liberal, como Bia Kicis, Mário Frias, Marcos Pollon, além de Alexandre Ramagem e Carla Zambelli.

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Entre os nomes mencionados, Bia Kicis foi uma das primeiras a se manifestar publicamente. A deputada negou que tenha destinado recursos para a produção cinematográfica sobre Bolsonaro e afirmou que as emendas indicadas por ela tinham como objetivo financiar conteúdos de caráter histórico e educativo. Segundo a parlamentar, os recursos teriam sido vinculados a produções voltadas à valorização da história brasileira e não ao longa investigado pelo STF.

Defesas públicas e histórico político ampliam repercussão da investigação

Na manifestação enviada ao portal Metrópoles, Bia Kicis detalhou o destino dos recursos apontados na apuração. “O projeto em questão possui investimento total de R$ 1.650.000,00, sendo que a emenda parlamentar indicada pela deputada corresponde a R$ 150.000,00, com caráter estritamente complementar para viabilização da iniciativa. Ressalte-se, ainda, que o valor indicado sequer foi pago até o presente momento, inexistindo, portanto, qualquer execução financeira vinculada à referida emenda. Os recursos foram destinados a um projeto de natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa”, diz nota.

Outros investigados também acumulam trajetórias fortemente associadas ao bolsonarismo. Alexandre Ramagem, delegado da Polícia Federal e ex-diretor da Abin durante o governo Bolsonaro, chegou a ser indicado para assumir o comando da PF, mas teve a nomeação barrada pelo STF. Já Carla Zambelli, ex-deputada federal por São Paulo, permanece presa na Itália desde julho de 2025 após condenação relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça. A Justiça italiana ainda deverá analisar o pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.

Filme sobre Bolsonaro e atuação de Mário Frias entram no centro da apuração

O deputado Mário Frias, que também atuou como secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, aparece como produtor-executivo de Dark Horse e passou a integrar o foco principal das investigações. Conforme informações divulgadas pelo STF, oficiais de Justiça tentam desde abril intimá-lo para prestar esclarecimentos sobre possíveis irregularidades envolvendo emendas direcionadas à produtora responsável pelo longa. Em resposta às suspeitas, Frias afirmou nas redes sociais que não houve utilização de dinheiro público ligado ao empresário Daniel Vorcaro no financiamento da obra. “Trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, declarou o parlamentar. Enquanto isso, Marcos Pollon também enfrenta questionamentos políticos após participar de um motim que interrompeu atividades legislativas na Câmara dos Deputados no ano passado.