A comunidade do samba e o Carnaval do Rio de Janeiro acordaram sob o impacto da perda de Fábio de Mello, falecido aos 61 anos em Nova Friburgo, na Região Serrana, na terça-feira, 28 de janeiro de 2025. Reconhecido como um dos mais importantes e influentes coreógrafos de comissões de frente, sua morte foi comunicada pela Imperatriz Leopoldinense, agremiação na qual ele não apenas realizou seus trabalhos mais memoráveis, mas também promoveu uma mudança definitiva na estética dos desfiles da Marquês de Sapucaí.
A trajetória de Fábio no universo carnavalesco começou em 1992, após um convite da carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em meados de 2024. A colaboração entre ambos se consolidou como uma das mais criativas e bem-sucedidas do cenário carioca.
Revolucionou comissões carnavalescas
Sob a liderança de Fábio, a comissão de frente da Imperatriz abandonou o formato de saudações tradicionais para se transformar em uma performance teatral, caracterizada por grande dinamismo, rigor técnico e forte apelo visual. Esse novo padrão imposto por ele elevou as expectativas e obrigou as demais escolas do Grupo Especial a reavaliarem seus conceitos, alterando permanentemente os critérios de julgamento e a qualidade das apresentações na avenida.

A magnitude do gênio de Fábio de Mello é atestada pelos números expressivos que construiu ao longo de sua trajetória: ele conquistou cinco campeonatos do Carnaval do Rio de Janeiro com a escola de Ramos e alcançou o marco histórico de manter a nota máxima no quesito comissão de frente durante 11 anos seguidos. Seu prestígio foi devidamente chancelado pela crítica, resultando na conquista de sete troféus Estandarte de Ouro em seus 23 anos de atuação. Sua influência artística não se restringiu à Imperatriz, estendendo-se a outras agremiações de elite como Beija-Flor, Viradouro e Mocidade Independente, para as quais também desenvolveu coreografias memoráveis.
Graves doenças de Fábio de Mello
Nos anos finais de sua vida, Fábio enfrentou um quadro de saúde bastante delicado, provocado pela Síndrome de Guillain-Barré, uma condição autoimune que compromete o sistema nervoso e gera fraqueza muscular, além de conviver com o diagnóstico de epilepsia e hipertensão. Diante dos custos elevados para o seu tratamento e da delicada situação financeira, ele contou recentemente com o apoio de familiares e amigos, que promoveram uma campanha de arrecadação online para auxiliá-lo em suas necessidades médicas.
