Um bebê de um ano e quatro meses faleceu na quarta-feira após um incidente na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo. Abdoulaye Dieng, de família natural do Senegal, prendeu o pescoço no vão entre um espelho e uma barra de ferro em uma sala multiuso da instituição. O menino foi levado pelos funcionários à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.
O advogado Erson de Oliveira, representante da família, relatou que o menino ficou preso na estrutura por seis minutos antes que as monitoras notassem a situação. A defesa aponta falta de supervisão e questiona por que os funcionários realizaram o socorro por meios próprios, sem acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou o Corpo de Bombeiros. “O vídeo [da câmera de monitoramento] mostra que ele lutou pela vida durante seis minutos”, afirmou o advogado.
Investigação sobre o bebê que faleceu na Creche Luz do Brás
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) comunicou que policiais militares em patrulhamento foram parados pelos funcionários da unidade durante o trajeto ao hospital. Cinco profissionais do local, incluindo a coordenadora e a diretora, são investigados. O 8º Distrito Policial registrou a ocorrência e solicitou exames ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para entender a dinâmica dos fatos.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME) prestou solidariedade aos parentes e informou que equipes do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem oferecem suporte à família. A pasta destacou as providências institucionais tomadas. “Independentemente da investigação conduzida pela Polícia Civil, a Pasta instaurou procedimento administrativo para esclarecer os fatos”, informou. “Se forem confirmadas irregularidades, serão adotadas medidas cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização parceira responsável pela unidade.”
Próximos passos da defesa de Abdoulaye Dieng após o incidente
A Polícia Civil continua analisando as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento e realiza diligências para localizar novas testemunhas que possam fornecer detalhes adicionais. Paralelamente ao inquérito criminal que apura as responsabilidades dos funcionários, o representante legal da família confirmou que ingressará com uma ação na esfera civil. O objetivo da medida judicial é buscar uma reparação financeira pelos danos causados à família.
