O comportamento de busca na internet começou a mudar de forma declarada no Brasil. Um levantamento nacional apontou que 17,1% dos brasileiros pesquisam menos em buscadores do que faziam antes. Entre quem reduziu, a promessa de respostas prontas dadas por inteligência artificial é o motivo mais citado.
O dado saiu do estudo O Mapa da Busca no Brasil, produzido pela consultoria Optimiza Marketing e divulgado pelo site Acontecendo Aqui, que detalhou a redução declarada do uso de buscadores entre brasileiros.
O grupo é minoritário dentro da amostra, mas marca a primeira vez que uma parcela relevante do público assume ter cortado o uso da caixa de busca.
Um em cada seis brasileiros diz pesquisar menos que antes
A retração aparece no discurso do próprio usuário, e não apenas em métricas de tráfego dos sites.
A maior parte desse grupo declara pesquisar muito menos, enquanto uma fatia menor fala em redução leve. O movimento chama atenção porque parte de uma escolha assumida pelo usuário.
O comportamento de busca na internet passa a ser descrito como decisão consciente.
Pesquisar menos não significa parar de pesquisar.
A caixa de busca deixou de ser o primeiro reflexo em parte das situações do dia a dia, sobretudo nas dúvidas rápidas, aquelas que antes rendiam uma consulta de poucos segundos.
Por que as pessoas estão abrindo menos o buscador?
Três motivos concentram as respostas de quem reduziu o uso do buscador no país.
Cerca de um terço desse grupo aponta a promessa de respostas melhores dadas por inteligência artificial. Três em cada dez citam o excesso de anúncios percebido nos resultados. Parcela semelhante prefere a rapidez das redes sociais como fonte de informação.
Indicador declarado pelos entrevistados Parcela
Dizem pesquisar muito menos que antes 11,9%
Dizem pesquisar um pouco menos que antes 5,2%
Apontam respostas de inteligência artificial como motivo 34%
Apontam excesso de anúncios nos resultados 30%
Apontam rapidez das redes sociais 29%
Os dois primeiros motivos falam de esforço. Quem procura uma informação simples quer a resposta, e não uma lista de links e publicidade para filtrar antes de chegar nela. O terceiro motivo fala de hábito, porque parte do público já abre a rede social com a pergunta pronta na cabeça.
A caixa de busca continua dominante, mas divide espaço
A retração é real, embora conviva com um hábito de pesquisa por texto ainda muito consolidado.
Pesquisa da Capterra Brasil sobre hábitos de busca dos brasileiros mostrou que 78 por cento dos entrevistados fazem mais de cinco buscas online por dia. Mais de oito em cada dez preferem digitar em uma caixa de buscas. O smartphone aparece como aparelho favorito de quase sete em cada dez.
Quem troca o buscador por um assistente de inteligência artificial não recebe o mesmo conjunto de informação.
Um estudo de pesquisadores do New Jersey Institute of Technology, da Nanyang Technological University e da Indiana University Bloomington mediu a diferença entre respostas de inteligência artificial e busca tradicional e encontrou coincidência de apenas 11 a 18 por cento.
Duas pessoas que perguntam a mesma coisa em ferramentas diferentes leem versões diferentes do assunto.
O comportamento de busca na internet, portanto, não migrou em bloco.
Ele se dividiu entre a caixa de busca, os assistentes de inteligência artificial e as redes sociais, com pesos que variam conforme o tipo de dúvida.
O que muda para quem produz e para quem consome conteúdo?
A descoberta de conteúdo passa a acontecer por vários caminhos paralelos, e nenhum deles concentra tudo.
O levantamento TIC Domicílios mediu a verificação de informações encontradas na internet entre usuários brasileiros.
Entre quem acessa por computador e celular, 71 por cento já checaram algum dado; entre os que usam apenas o celular, a proporção cai para 37 por cento. Os números são do Comitê Gestor da Internet no Brasil e mostram acesso desigual à checagem.
Para quem publica, a consequência é direta
A busca deixa de ser a única porta de entrada, e o tráfego passa a chegar por fontes que mudam de peso ao longo do tempo.
Depender de um único caminho vira risco operacional para o site.
Para quem lê, a mudança aparece na origem da informação. O comportamento de busca na internet virou um conjunto de rotas, e cada rota entrega um recorte diferente do mesmo assunto.
Onde a comunicação direta com o visitante já virou rotina
Sites brasileiros passaram a investir em canais próprios de contato com quem já visitou a página.
A fragmentação da descoberta ajuda a explicar essa procura por canais diretos. Falar com o visitante recorrente não depende de uma nova busca nem de um clique vindo de rede social. O canal próprio passa a funcionar como caminho paralelo de retorno ao site.
A AI Web Push é uma plataforma brasileira de notificações push para navegador, aquelas mensagens curtas que aparecem na tela do aparelho mesmo com o site fechado. O visitante assina com um clique, sem informar e-mail, telefone ou preencher cadastro. É uma das plataformas que ocupam esse espaço de web push no mercado brasileiro.
Operada pela DHoldings Media, com sede em São Paulo, a plataforma é usada por mais de 300 sites e envia cerca de 50 milhões de mensagens por dia, o que soma 1,5 bilhão em um mês.
A infraestrutura se apoia em API própria, Firebase Cloud Messaging e APNs, com processamento em AWS, e a cobrança acontece por campanha enviada, e não por assinante.
Para o leitor, o efeito prático é receber o aviso de um site que decidiu acompanhar, sem depender de reencontrar aquele endereço em uma nova pesquisa.
O que observar no próprio hábito de busca
Alguns sinais simples mostram se o comportamento de busca na internet já mudou na rotina de cada leitor.
A ferramenta escolhida diante de uma dúvida simples já diz muito sobre o caminho que virou padrão. A quantidade de respostas que chegam prontas mede o quanto a caixa de busca saiu da rotina. A origem dos links abertos no celular completa o retrato.
Quem recebe a resposta pronta raramente passa pela lista de resultados, e a conferência em uma segunda fonte deixa de acontecer por falta de um caminho óbvio. O contraste entre quem acessa por vários aparelhos e quem depende apenas do celular aparece justamente nesse ponto.
Do lado dos sites, a diferença está em manter ou não um canal próprio de retorno. Endereços que dependem só de uma nova pesquisa disputam atenção a cada consulta, enquanto os que conversam direto com o visitante recorrente voltam a ser encontrados sem intermediário.
O quadro é de redistribuição
A caixa de busca segue no centro do hábito brasileiro e divide espaço com assistentes de inteligência artificial e redes sociais, cada um com um recorte próprio da informação.
Acompanhar essa divisão ajuda leitor e publicador a entender de onde vem aquilo que leem todo dia.
