‘Estou bem’: o que pode estar por trás dessa frase quando alguém está sofrendo

Nem sempre quem diz que está tudo bem consegue revelar o que realmente sente. Veja sinais que podem indicar sofrimento emocional.

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“Estou bem.” É uma resposta simples, comum e que faz parte de praticamente qualquer conversa. Mas, em alguns casos, essas duas palavras podem esconder muito mais do que aparentam. Uma pessoa pode sorrir, continuar trabalhando, estudar, sair com os amigos e, ainda assim, estar enfrentando um período de intenso sofrimento emocional.

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No Setembro Amarelo, período dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, prestar atenção nesses detalhes ganha ainda mais importância. Isso não significa interpretar qualquer mudança de comportamento como sinal de uma crise, mas aprender a perceber quando alguém próximo parece diferente do habitual.

Muitas pessoas têm dificuldade para falar sobre o que sentem. Algumas têm medo de preocupar familiares e amigos. Outras acreditam que serão julgadas, não serão compreendidas ou que precisam resolver tudo sozinhas. Também existe quem simplesmente não consiga encontrar palavras para explicar o que está acontecendo.

Por isso, perguntar “você está bem?” e receber um “estou bem” como resposta não significa necessariamente que a conversa precisa terminar ali.

Quando o “estou bem” não combina com o comportamento

Uma das formas de perceber que alguém pode estar passando por dificuldades é observar mudanças persistentes na rotina. A pessoa que antes gostava de conversar pode começar a se isolar. Quem era participativo pode perder o interesse por encontros, hobbies e atividades que costumavam trazer prazer.

Alterações no sono, no apetite, na disposição e no rendimento no trabalho ou nos estudos também merecem atenção. Irritabilidade frequente, tristeza, ansiedade, cansaço constante e uma sensação de desânimo que parece não passar podem indicar que algo está afetando a pessoa.

A forma como ela fala também pode mudar. Comentários de desesperança, inutilidade, culpa excessiva ou falta de perspectiva sobre o futuro não devem ser simplesmente ignorados. Frases ditas repetidamente sobre não aguentar mais, desaparecer ou ser um peso para os outros precisam ser levadas a sério.

Nenhum desses sinais, isoladamente, permite concluir o que uma pessoa está vivendo. O objetivo não é diagnosticar alguém, mas perceber mudanças e abrir espaço para uma conversa.

O que fazer quando você percebe que alguém não está bem

A melhor abordagem costuma começar pela presença. Em vez de pressionar a pessoa a explicar tudo imediatamente, escolha um momento tranquilo e demonstre que você está disponível para ouvir.

Perguntas simples podem ajudar: “Você quer conversar?”, “Tem alguma coisa acontecendo?” ou “Como você está de verdade?”. Mais importante do que encontrar a frase perfeita é ouvir sem transformar o sofrimento em uma disputa ou em uma comparação.

Evite respostas como “isso é só uma fase”, “você precisa ser forte” ou “tem gente passando por coisa pior”. Mesmo quando são ditas com boa intenção, elas podem fazer a pessoa sentir que sua dor está sendo diminuída.

Também não é necessário assumir sozinho a responsabilidade por resolver o problema. Incentivar a busca por ajuda profissional pode ser uma atitude importante, principalmente quando o sofrimento é intenso ou persistente.

Se houver uma situação de risco imediato, é necessário procurar ajuda de emergência e não deixar a pessoa sozinha.

O Setembro Amarelo serve como um lembrete de algo que deveria acontecer durante todo o ano: prestar atenção nas pessoas, perguntar como elas realmente estão e criar espaço para que possam falar sem medo de julgamento. Às vezes, alguém não precisa que você tenha uma solução. Precisa apenas perceber que existe alguém disposto a ouvir.

Se você ou alguém que conhece estiver passando por um momento de sofrimento emocional, procure ajuda. O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia. O atendimento também pode ser acessado pelo site oficial do Centro de Valorização da Vida.