“Eu não aguento mais.” A frase pode aparecer durante uma conversa comum, depois de uma discussão ou em um momento de grande dificuldade. Quem escuta pode não saber exatamente o que responder. Pode pensar que a pessoa está apenas desabafando ou que uma palavra de incentivo será suficiente.
Mas uma fala como essa merece atenção.
Isso não significa concluir automaticamente que existe risco de suicídio. Uma pessoa pode usar a expressão para falar sobre cansaço, pressão, problemas financeiros, conflitos familiares, dificuldades profissionais ou uma série de outras situações. Ainda assim, quando alguém demonstra que chegou ao limite, ignorar ou minimizar a fala não é uma boa resposta.
Durante o Setembro Amarelo, aprender a reconhecer esses momentos é parte da prevenção. Mais do que encontrar a frase perfeita, é importante saber ouvir, permanecer por perto e ajudar a pessoa a encontrar suporte.
O que fazer quando alguém diz que não aguenta mais
A primeira atitude é levar a pessoa a sério. Em vez de responder imediatamente com “vai ficar tudo bem” ou “você precisa ser forte”, procure entender o que está acontecendo.
Perguntas simples podem abrir espaço para a conversa: “O que está acontecendo?”, “Quer me contar o que você está sentindo?” ou “Como posso ficar do seu lado agora?”.
Ouvir não significa concordar com tudo nem ter uma solução pronta. Significa permitir que a pessoa fale sem ser interrompida ou julgada.
Evite frases que diminuam o sofrimento, como “você tem uma vida boa”, “isso é só uma fase” ou “pense nas coisas boas que você tem”. Mesmo quando são ditas com boa intenção, essas respostas podem fazer alguém acreditar que não deveria estar se sentindo daquela maneira.
Se houver suspeita de que a frase esteja relacionada a pensamentos de morte ou suicídio, é importante perguntar diretamente e com calma. Falar sobre o assunto não coloca uma ideia na cabeça de alguém. Pelo contrário, pode abrir uma oportunidade para que a pessoa fale sobre algo que estava escondendo.
Se houver risco imediato, não deixe a pessoa sozinha. Procure ajuda de emergência e acione pessoas de confiança que possam permanecer próximas.
Você não precisa resolver tudo sozinho
Um erro comum é imaginar que, depois de ouvir um desabafo, é responsabilidade de um amigo ou familiar resolver a situação. Não é.
O papel de quem está próximo pode ser oferecer companhia, escutar, ajudar a pessoa a procurar atendimento e garantir que ela não fique sozinha em uma situação de risco.
Quando o sofrimento é persistente ou intenso, a busca por profissionais de saúde pode ser fundamental. Psicólogos, psiquiatras, médicos e outros serviços especializados podem avaliar a situação e orientar o cuidado adequado.
Também é importante continuar presente depois da primeira conversa. Perguntar novamente como a pessoa está, mandar uma mensagem ou fazer uma visita pode mostrar que aquela preocupação não desapareceu depois de um único desabafo.
O sofrimento emocional nem sempre aparece de maneira evidente. Algumas pessoas continuam trabalhando, estudando, cuidando da família e convivendo normalmente enquanto enfrentam uma situação muito difícil.
Por isso, quando alguém diz “não aguento mais”, não é preciso esperar por sinais mais graves para demonstrar cuidado. Pare, escute e pergunte o que está acontecendo.
Se você ou alguém próximo estiver passando por sofrimento emocional e precisar conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, em todo o Brasil, 24 horas por dia, todos os dias. O serviço oferece atendimento sigiloso e anônimo.
Em uma situação de emergência ou risco imediato, procure também um serviço de emergência ou atendimento de saúde.
