Quando alguém finalmente diz “não estou bem”, a primeira reação de quem escuta pode ser tentar resolver o problema. Surgem frases como “vai ficar tudo bem”, “não pensa nisso” ou “você precisa ser forte”.
A intenção geralmente é boa. O problema é que essas respostas podem encerrar a conversa justamente no momento em que a pessoa decidiu se abrir.
Dizer que não está bem pode ser difícil. Muitas pessoas passam bastante tempo escondendo o que sentem antes de conseguir falar. Por isso, quando alguém próximo admite que está sofrendo, o mais importante nem sempre é encontrar a resposta perfeita. É mostrar que existe espaço para aquela pessoa falar.
No Setembro Amarelo, aprender a ter esse tipo de conversa é uma forma de cuidado. Não é necessário ser especialista para ouvir alguém. Mas é importante saber acolher, reconhecer os limites e procurar ajuda quando a situação exigir.
O que você pode dizer
Uma das melhores respostas é simples: “Quer conversar sobre isso?”
A pergunta não obriga a pessoa a contar tudo, mas mostra que você está disponível.
Outra possibilidade é dizer: “Estou aqui para te ouvir.” Quando alguém está sofrendo, saber que existe uma pessoa disposta a escutar sem julgamento pode ajudar a diminuir o isolamento.
Também pode ser útil perguntar: “Tem alguma coisa que eu possa fazer por você agora?” A resposta pode ser conversar, ficar junto, ajudar a procurar atendimento ou simplesmente respeitar o momento da pessoa.
Se ela começar a falar, tente ouvir antes de aconselhar. Não interrompa para contar uma história parecida, não compare o sofrimento e não tente transformar imediatamente o desabafo em uma solução.
Frases como “entendo que isso está sendo difícil” ou “obrigado por confiar em mim para falar sobre isso” podem transmitir acolhimento sem minimizar o que está acontecendo.
Também é importante observar mudanças no comportamento. Isolamento, perda de interesse por atividades, alterações no sono e no apetite, irritabilidade, cansaço constante e falas frequentes de desesperança podem indicar que a pessoa precisa de mais apoio.
Nenhum desses sinais permite, sozinho, identificar o que alguém está enfrentando. O importante é observar o conjunto e a mudança em relação ao comportamento habitual.
O que evitar e quando procurar ajuda
Algumas respostas podem parecer positivas, mas acabam diminuindo o sofrimento. Evite dizer “você tem que ser forte”, “isso é só uma fase”, “tem gente passando por coisa pior” ou “você precisa pensar positivo”.
Também não é necessário dizer que sabe exatamente o que a pessoa está sentindo. Cada experiência é diferente.
Se a pessoa não quiser falar, respeite. Você pode dizer que continua disponível e voltar a procurá-la depois. Uma conversa não precisa acontecer inteira de uma vez.
Quando alguém menciona morte, desaparecimento, falta de vontade de viver ou diz que não vê saída, a situação precisa ser levada a sério. Nesses casos, não é hora de ignorar a fala ou esperar que passe sozinha.
Perguntar diretamente se a pessoa está pensando em se machucar ou tirar a própria vida pode ser necessário. A pergunta deve ser feita com calma e sem julgamento. Se houver risco imediato, não deixe a pessoa sozinha e procure ajuda de emergência.
Também é importante incentivar o contato com profissionais de saúde quando o sofrimento é intenso ou persistente. Psicólogos, psiquiatras, médicos e serviços de saúde podem avaliar a situação e orientar o cuidado adequado.
No fim, não existe uma frase mágica capaz de resolver o sofrimento de alguém. O que você pode oferecer é presença, escuta e disposição para ajudar a pessoa a encontrar o suporte necessário.
Quando alguém diz “não estou bem”, talvez a resposta mais importante seja justamente não tentar fazer a pessoa parecer bem imediatamente.
Se você ou alguém que conhece estiver passando por sofrimento emocional e precisar conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, em todo o Brasil. O atendimento é sigiloso e anônimo. Em situações de emergência ou risco imediato, procure também um serviço de emergência ou atendimento de saúde.
