Nunca diga isso para alguém que está sofrendo: frases comuns que podem piorar tudo

Algumas respostas parecem consolar, mas podem fazer quem está sofrendo se sentir julgado, incompreendido ou ainda mais sozinho.

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Quando alguém revela que está passando por um momento difícil, é comum surgir uma vontade imediata de dizer alguma coisa para melhorar a situação. O problema é que, na tentativa de ajudar, algumas frases acabam tendo o efeito contrário.

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“Isso vai passar”, “você precisa ser forte” e “tem gente passando por coisa pior” são respostas bastante comuns. Geralmente não existe uma intenção de machucar. Ainda assim, palavras podem transmitir a sensação de que o sofrimento não é importante ou de que a pessoa deveria simplesmente conseguir superá-lo.

No Setembro Amarelo, aprender a conversar sobre sofrimento emocional também significa entender o que evitar. Ninguém precisa ter a resposta perfeita para acolher alguém. Muitas vezes, ouvir com atenção é mais útil do que tentar encontrar uma solução imediata.

5 frases que podem piorar uma conversa

1. “Isso é só uma fase, vai passar.”

Talvez a situação realmente mude com o tempo, mas essa resposta pode ignorar aquilo que a pessoa está vivendo naquele momento. Quando alguém decide falar sobre seu sofrimento, dizer simplesmente que ele vai passar pode fazê-la sentir que não foi compreendida.

É melhor reconhecer o que ela está sentindo e perguntar se quer conversar.

2. “Você precisa ser forte.”

A cobrança para estar sempre bem pode fazer com que alguém esconda ainda mais as próprias dificuldades. Pessoas também precisam ter espaço para admitir cansaço, medo, tristeza e insegurança.

Em vez de cobrar força, ofereça companhia.

3. “Tem gente passando por coisa muito pior.”

Comparar problemas não diminui o sofrimento de ninguém. Cada pessoa reage de maneira diferente às situações que enfrenta.

Essa frase pode fazer alguém pensar que não tem direito de se sentir mal ou que deveria guardar aquilo para si.

4. “Você tem que pensar positivo.”

Manter esperança pode ser importante, mas exigir que uma pessoa pense positivamente quando ela está enfrentando sofrimento intenso pode produzir culpa.

Ela pode começar a acreditar que, além de sofrer, está falhando por não conseguir simplesmente mudar seus pensamentos.

5. “Você está exagerando.”

Poucas coisas fecham uma conversa tão rapidamente quanto fazer alguém acreditar que seus sentimentos são exagerados ou sem importância.

Mesmo que você não compreenda completamente aquilo que a pessoa está vivendo, isso não significa que a experiência dela seja inválida.

O que dizer no lugar dessas frases?

Não existe uma resposta universal. Uma conversa pode começar com algo simples como “quer me contar o que está acontecendo?” ou “como posso te ajudar?”.

Se a pessoa quiser falar, procure ouvir sem interromper e sem transformar o momento em uma comparação com experiências próprias.

Também é importante não pressionar. Se ela não quiser conversar naquele momento, deixe claro que você continua disponível. Uma mensagem ou uma ligação depois pode mostrar que a preocupação não desapareceu.

Quando o sofrimento é intenso ou persistente, incentive a busca por ajuda profissional. Psicólogos, psiquiatras, médicos e serviços de saúde podem avaliar a situação e orientar o cuidado adequado.

Se a pessoa falar sobre morte, desaparecer, não querer mais viver ou não enxergar uma saída, não trate a fala como drama ou tentativa de chamar atenção. Leve a situação a sério. Procure ajuda imediatamente e, diante de risco iminente, acione um serviço de emergência e não deixe a pessoa sozinha.

O objetivo não é transformar familiares e amigos em profissionais de saúde mental. É entender que uma conversa pode ser uma porta para que alguém aceite procurar ajuda.

No Setembro Amarelo, a mensagem é simples: quando alguém decidir falar sobre o próprio sofrimento, tente não fechar essa porta com uma resposta automática. Você não precisa resolver tudo. Pode começar ouvindo.

Se você ou alguém que conhece estiver passando por sofrimento emocional e precisar conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, em todo o Brasil. O atendimento é sigiloso e anônimo. Em situações de emergência ou risco imediato, procure também um serviço de emergência ou atendimento de saúde.