Nesta quarta-feira, dia 7 de outubro, durante a Audiência Geral no Vaticano, o pontífice Leão XIV dirigiu-se aos fiéis e, ao abordar o tema de Nossa Senhora Aparecida, solicitou a intercessão da “padroeira do Brasil” em favor da proteção dos cidadãos brasileiros. O discurso papal ocorreu em um contexto de intensa repercussão da figura da santa no cenário político nacional, especialmente em virtude de recentes discussões e controvérsias.
A menção do papa Leão XIV acontece após um período de grande visibilidade de Nossa Senhora Aparecida, que foi alvo de uma controvérsia significativa no primeiro turno das eleições brasileiras. Na ocasião, diversas publicações falsas circularam, afirmando que um dos candidatos, Flávio Bolsonaro, planejaria retirar o título de padroeira do Brasil da santa caso fosse eleito. A polêmica gerou um acalorado debate público e político.
A saudação papal e o contexto das eleições
Em sua alocução na Praça de São Pedro, o Santo Padre optou por não se aprofundar diretamente na polêmica política envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em vez disso, Leão XIV lembrou aos presentes que na próxima segunda-feira, dia 12 de outubro, seria comemorado o Dia de Nossa Senhora Aparecida. O pontífice proferiu uma saudação especial aos peregrinos de língua portuguesa, que incluía fiéis de Portugal e, de forma particular, do Brasil.
“Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos grupos vindos do Brasil e de Portugal”, declarou o papa. Ele prosseguiu, expressando sua bênção: “Queridos irmãos e irmãs, na próxima segunda-feira (12) de outubro, celebra-se Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Confio todos vós e as vossas famílias à sua intercessão maternal. Que Nossa Senhora vos proteja sempre! Deus vos abençoe“, concluiu Leão XIV, reforçando a importância da padroeira para a nação brasileira.
Decisões judiciais e o posicionamento da CNBB
A polêmica em torno da padroeira do Brasil extrapolou os debates populares e chegou aos tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), resultando em decisões judiciais com desdobramentos distintos. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, atuando como membro do TSE, determinou a remoção de publicações online que associassem Flávio à suposta intenção de destituir Nossa Senhora Aparecida de seu título.
Contudo, dois dias depois, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão de Mendonça, restabelecendo o conteúdo das publicações. Em seguida, Luis Fux, também ministro do STF, reverteu a decisão de Dino e manteve a ordem de retirada. Posteriormente, em 30 de setembro, o TSE reafirmou a proibição de publicações que ligassem diretamente Flávio à notícia falsa. No meio dessa disputa, Flávio acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de colaborar com o PT na disseminação da história, afirmando: “A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu, não tem projeto, não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news. Conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB. Infelizmente, essa é a realidade”.
A CNBB, por sua vez, negou qualquer envolvimento na difusão de informações inverídicas, declarando que atribuir à entidade participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral e que mentira não se combate com outra mentira.
